quinta-feira, 29 de maio de 2008

São Gabriel



Meus agradecimentos à família Melo, os progenitores de minha musa, durante os dias em que estive na cidade de São Gabriel, localizada na fronteira-oeste do Rio Grande do Sul. A cidade é marcada por fatos históricos como à morte de Sepé Tiaraju. O índio lutou bravamente contra portugueses e espanhóis. Numa destas batalhas feriu o tropeiro Pinto Bandeira e gritou: “Esta terra tem dono”. Tombando tragicamente nas proximidades da Sanga da Bica e os sete povos das missões lamentam a sua partida. (1)Como um Quixote, o gaudério da triste figura, o naturalista, o espanhol Dom Félix de Azara durante cinco anos, fez o que pode tentando juntar várias etnias para construir um vilarejo, desde o Rio da Prata como num sonho e assim o fez, sem êxito. Mas em 1800, ele os juntou as páginas do “Livro Padrão Geral dos Povos da Vila do Batovi” e fundou à cidade de São Gabriel. Mais tarde em 1815, foi elevada a categoria de Capela Curada, tendo em sua sede um sacerdote permanente. A Igreja do Galo pertence ao período em que a cidade foi Capital da Republica Riograndense. O município historicamente é ligado às armas, Terra dos Marechais, como é chamada, já que ali nasceram os Marechais João Propício Menna Barreto, Fábio Patrício de Azambuja, o Presidente da República Hermes da Fonseca e Mascarenhas de Moraes, o comandante da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial, durante as batalhas na Itália. Outros militares gabrielenses fizeram parte da história nacional, como o Coronel José Plácido de Castro, o desbravador e conquistador do Acre, apreciado pelos telespectadores na minisérie Amazônia, de Glória Peres. A vocação militar conviveu pacificamente com a poesia e outras artes, projetando para o Brasil o gabrielense Alcides Maia, o primeiro Gaúcho admitido na Academia Brasileira de Letras, seus textos de notoriedade são: “Alma Bárbara, Ruínas Vivas e a Tapera”. Assim como Maria Isabel Hornos, a Guapa, a santa predileta do povo, amada pelas crianças e ainda tocava gaita de foles, sendo assassinada no carnaval. (2)A história política do Município conta com personagens como o Castilhista Fernando Abbott, Presidente do Estado e o Embaixador Francisco de Assis Brasil e o Padre Leonel França, teólogo fundador da Puc do Rio de Janeiro. São Gabriel é considerado o último reduto dos Carreteiros, o mais antigo meio de locomoção inventado pelo homem. Atualmente, conta com o boliche dançante, um chimarródromo no calçadão da cidade, onde os gauderios e as prendas encontram-se para uma prosa campeira regada ao tradicional mate amargo para aquecer-se do frio.




(1) Sepé, o Índio
Sepé Tiaraju, o índio, o rubi da lua,


nasceu na redução de São Luiz Gonzaga,


o curumim, educado pelos padres jesuítas.


“O facho de luz, filho de Jacó e Raquel”.


O guerreiro de pele vermelha,


Levado para São Miguel Arcanjo


Yawara, Yawara, Yawara




O general guarani


O corregedor da nação indígena,


o homem natural gritou:


“Esta terra tem dono e nos foi dada por Deus e São Miguel”.


Defendeu os sete povos das missões,


lutou contra os portugueses,


espanhóis, cara pálida e os casacos azuis.


Índio apache, o kuarupe do pampa.


Yawara, Yawara, Yawara




Jussara cadê Sepé,


Esta com a lança em pé de guerra...


O pele vermelha, “Megêgum”,


misto de leão e raposa


atacava como fantasma,


samurai das missões,


conhecia o pampa como ninguém,


enfrentou o frio, o nosso inimigo invisível.


Bebeu água da fonte, comeu o fruto da terra.


Muito amado pela namorada


que tinha sonhos de paz...


Yawara, Yawara, Yawara




(2) Guapa
Guapa da terra dos Marechais


Guapa, a branca, a charmuta,


a mulher do povo, a Santa


ela veio do Uruguai f


oi morar em São Gabriel


tocava gaita de foles,


vez por outra fazia trova: "


O frio do pampa é uma milonga"


revidava galanteios de quem não merece




Guapa dos marechais, Guapa, a dama do lotação...


Guapa, a dama do cine Xangai...


Guapa, a dama de vermelho...


vestia à moda campeira Guapa 0666


"decifra-me, ou dispare".


Guapa pampiana


O doce das velhinhas,


o caramelo das crianças


defensora dos fracos e oprimidos




"A voz do povo é a voz de Deus


o lamento do povo é grito da justiça


o louvor do povo é o canto da procissão".

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