terça-feira, 27 de maio de 2008

Retrato Falado Sobre Mim


Venho de um Cais do Porto e de ruas com árvores.
Meu pai era farmacêutico e
minha mãe contabilista no bairro Partenon.

O bairro não é um templo da Grécia antiga,
mas nascera de um grupo de intelectuais como Caldre e Fião,
que escrevera a lenda da índia Obirici,
entoada na voz de um shamam em transe (*),
ao redor da figueira.
Este é o bairro onde nasci.

Criei-me numa canoa furada, como o arroz do seco,
sem peixinhos que voam, nem marinheiros,
nem aves cantarolando pela manhã.
Quanto mais eu conheço os animais mais eu amo as pessoas.
Cinamomos, eucaliptos e jasmim.
Longe do estuário do Guaíba, rio Gravataí
e o Rio dos Sinos.

Aprecio viver em sintonia comigo mesmo.
Já publiquei coisas horríveis que eu nem gosto de lembrar:
Depois de publicar me arrependo terrivelmente
e quero desaparecer...

Segui o meu caminho a vida inteira
como se fosse um cego procurando à luz.
O que me salvou? Não estou no fundo do poço,
escrever foi a minha salvação. Os versos me renovam.
Agora, eu sou tão comum...
Estou na categoria de ser repetitivo
só porque sou uma pessoa sem valor...
No meu morrer tem um pé de guaraná.

(*) “Tapi tapiaçu, tapi tapimirim”
Obirici, Meu coração bate por ti,
Obirici, Meu coração é o alvo.
A sorte esta lançada.
Obirici se errar o alvo,
Outra índia levará meu coração.
Nervos, suor, tudo Longe do amor e da paz.
Sem rumo, vaga por ai...
Longe do morro Santa Tereza e do rio Gravataí.
No passo d´areia.
Lágrimas e prece debaixo da figueira.
Eleva os braços aos céus.
Nem tupã, nem cúpido
nem Upatã.
Obirici,
de amor e paixão
nosso amor se foi
por uma competição.

Nenhum comentário: