quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Carta de Mozart à sua Irmã



Extraido do Livro Cartas de Mozart - 1992.

Nápoles, 5 de junho de 1770

Hoje o Vesúvio esta fumegando fortemente. As fugalhas fazem um belo espetáculo.

Comemos na casa do sr. Doll, um compositor alemão e homem valoroso.

Agora começo a descrever o meu dia-a-dia:

Alle 9 ore, qualche volta anche alle dieci mi sveglio, e poi andiamo fuor di casa, e poi pranzino da un trattore, e dopo pranzo scriviamo, e poi sortiamo e indi ceniamo, ma che cosa? (*)

Al giorno di grasso, um mezzo polio ovvero un piccolo boccone d´arrosto; al giorno di magro, un piccolo pesce; e di poi andiamo a dormire. Est-ce que vous avez compris? (**)

Agora, falaremos o dialeto de Salzburg, que dá mais certo: "Nós estamos, graças à Deus, com saúde, o papai e eu. Espero que você também eesteja se sentindo bem, do mesmo modo, a mamãe. Nápoles e Roma são duas cidades paradas". Um bonita escrita, não é mesmo? Escreva-me e não seja tão preguiçosa. "Altrimente ascete qualche bastonate di me. Quel plaisir! Je te casserai la têre! (***)

(*)

O techo em italiano diz que ele se levanta às 09 ou 10 horas, sai para almpçar no restaurante, e depois vai escrever. Mais tardesaem novamente para cear.

(**)

Nos dias gordos, meio frango com uma pequena porção de arroz: Nos dias magros, um pouco de peixe. Termina com uma frase em francês: "Voce compreendeu?"

(***)

Traduzindo do italiano e francês: "Enquanto isso, receba de mim algumas pauladas. Que prazer! Eu vou te quebrar a cabeça".
Eu já me alegro com o retrato, e estou curioso sobre o aspecto que terá. Se me agradar, deixarei que façam o meu e o do pai.
Menina, diga, por onde anda você andou, hein? A Ópera aqui é de Jomelli; ela é bonita, mas muito séria e antiquada para o teatro. A DE AMICIS canta incomparavelmente, como também o APRILE, o qual cantou em Milão. As danças são lastimavelmente pomposas. O teatro é bonito.
O rei foi educado à grossa maneira napolitana, e permanece na Ópera, todo o tempo em cima de um banquinho, para parecer um pouco maior que a rainha.
A rainha é bonita e amavél, pois ela, por cerca de seis meses em Molo ( é um lugar de passeio), saudou-me muito amigavelmente.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Francelina, Maria Francelina


No final do século 19 o viver dos homens, das mulheres e das crianças era mais tranqüilo, mais pacífico, mais fácil de ser desfrutado sem maiores sobressaltos, embora vez ou outra a violência já andasse aprontando das suas. Afinal de contas, a natureza humana é imprevisível, o que tem sido sobejamente demonstrado desde o princípio, quando Caim matou Abel e deu início a essa prática nefanda. Foi o que aconteceu no dia 12 de novembro de 1899, data em que Bruno Soares Bicudo, um soldado conhecido como Brum, do 1º Regimento de Cavalaria da Brigada Militar gaúcha, combinou um piquenique com sua namorada Maria Francelina Trenes, de 21 anos, e mais os seus amigos e também soldados Felisbino Antero de Medina, Manoel Alves Nunes e Manoel Antonio Vargas, que deveriam comparecer acompanhados de suas respectivas esposas. O local escolhido foi um morro situado no atual bairro Partenon, defronte ao terreno onde funciona o Hospital Psiquiátrico São Pedro, na Avenida Bento Gonçalves, e que na época ainda se encontrava coberto pelo mato e algumas árvores. Foi ali que a excursão dos jovens se prolongou por algumas horas de alegria descontraída, e quando o churrasco acabou, Bruno e Maria Francelina afastaram-se do grupo porque haviam iniciado uma pequena discussão. Depois disso a tarde avançou sem novidades até o momento em que os demais participantes do passeio se deram conta de que a ausência dos dois se prolongava por tempo além do razoável. Então eles começaram a procurá-los pelas redondezas, encontrando o soldado ao lado de uma figueira, com uma faca na mão, e a moça estirada no solo, toda ensangüentada. Ela havia sido degolada pelo rapaz que a acompanhava. Desorientados com aquela tragédia que não conseguiam entender, os três militares trataram de comunicar o ocorrido aos seus superiores hierárquicos no regimento, e de lá foi enviada imediatamente uma guarnição que desarmou o assassino e o levou preso para o quartel. Posteriormente, ele foi julgado pela justiça e condenado a 30 anos de reclusão na Casa de Detenção de Porto Alegre, aonde veio a falecer sete anos depois, assassinado, ao que se sabe, por outro detento. Com a elucidação do caso as populações periféricas de Porto Alegre passaram a considerar Maria Francelina como uma santa que atendia aos pedidos e orações dos desafortunados, principalmente após se ter espalhado a notícia de que em uma sessão espírita realizada nas proximidades do local do crime, havia sido recebida uma mensagem da moça declarando que não desejava ser lembrada como “Maria Degolada”, e sim pelo seu verdadeiro nome. Nessa época, já surgira no alto do morro uma pequena vila, cujos moradores decidiram em reunião que dali em diante o lugar seria chamado de Maria da Conceição, denominação que de fato aparece nos registros da administração pública. No local foi erguida uma construção tosca sobre o que diziam ser o túmulo da moça assassinada, uma espécie de capela aonde até os dias de hoje chegam pessoas para fazer os mais diferentes pedidos, principalmente aqueles que envolvem "amores perdidos", “amores contrariados” ou "dores de amor". Depois de atendidas em suas solicitações elas retornam à “capela” para agradecer à benfeitora, trazendo velas, peças de cera, véus de noiva, fotos, flores e outros presentes, depositando suas oferendas junto ao túmulo. Conta-se, no entanto, que Maria Degolada atende a todos os pedidos, exceção feita aos dos policiais... A tragédia acontecida no morro do Hospício serviu de tema à publicação intitulada “Maria Degolada, mito ou realidade?”, da Editora Estadual Arquivo Público do Rio Grande do Sul, 1994, Porto Alegre, sendo mencionada, ainda, em “Rio Grande do Sul: um século de história”, de Carlos Urbim, Lucia Porto e Magda Achutti, Porto Alegre, 1999, volume 2, páginas 625/626; e “Porto Alegre: guia histórico”, de Sérgio da Costa Franco; Editora da UFRGS, 1988, página 259. Também no teatro o triste acontecimento é relembrado através da peça “Maria Degolada”, de Hércules Grecco, cujo resumo informa que ela “conta a tragédia de Maria Francelina, mulher marcada pela violência do início ao fim de sua vida, tendo como pano de fundo a Revolução Federalista de 1893. Com sensibilidade e originalidade, o autor trata temas delicados, como a cultura da violência e o papel da mulher no cotidiano provinciano”. Sobre o Hospital São Pedro, destinado ao tratamento psiquiátrico na cidade de Porto Alegre, ele teve sua construção iniciada em 02/12/1879, sendo a primeira parte terminada em 1884; mas somente em 1903 concluiu-se o seu quinto e último pavilhão. Ele chegou a abrigar mais de cinco mil pessoas, porém, com a adoção de uma nova política de atendimento médico aos que têm problemas psíquicos, o hospital está sendo gradativamente desativado.
O Hospital São Pedro foi o primeiro hospital psiquiátrico da cidade; sua construção foi iniciada em 02/12/1879; a primeira parte foi concluída em 1884; todavia, o 5o. e último pavilhão foi concluído somente em 1903. Em 1884, foi visitado pela Princesa Isabel, quando estava com 1/4 da sua construção concluída. Na época, considerava-se grande avanço colocar em hospital pessoas indevidamente trancafiadas em cadeias. No auge, o hospital chegou a abrigar mais de 5 mil pessoas; todavia, com a nova política em andamento no setor, de abrigagem de pessoas com sofrimento psíquico em lares menores, o hospital está sendo gradativamente desativado.
No morro em frente ao Hospital, chamado antigamente de Morro do Hospício, ocorreu à rumorosa tragédia da "Maria Degolada", que está sendo retratada em peça teatral na cidade. Lá, em 12/11/1899, Maria Francelina Trenes, de 21 anos e de origem alemã, foi cruelmente degolada por seu amante, por motivo torpe (discussão fútil). Naquele domingo, no local da atual rua Carlos de Laet. Logo, o local passou a ser venerado por pessoas humildes, principalmente por pessoas com "amores contrariados", recebendo velas acesas e oferendas à moça que passou a ser chamada popularmente de "Maria Degolada". Nos meios oficiais, o morro e o local são referidos por nome menos deprimente: "Maria da Conceição".
Atualmente, existe no local uma pequena capela, com muitas velas constantemente acesas. O local é de difícil acesso; a ruela que leva ao local está asfaltada, mas é muito estreita, sinuosa e ladeada por casas muito humildes, parecendo um "beco sem saída".
De todos os lugares da capital, o Morro MARIA DA CONCEIÇÃO talvez seja o mais rico em história, em valor cultural.
Aqui neste bairro, se deu uma das histórias que mais marcaram a memória desta cidade: - Dessa tragédia nasceu o nome desta localidade. Mas é bom que todos saibam: Com a elucidação do caso as populações periféricas de Porto Alegre passaram a considerar Maria Francelina como uma santa que atendia aos pedidos e orações dos desafortunados, principalmente após se ter espalhado a notícia, de que em uma sessão espírita realizada nas proximidades do local do crime, havia sido recebida uma mensagem da moça declarando que não desejava ser lembrada como “Maria Degolada”, e sim pelo seu verdadeiro nome.
Nessa época, já surgira no alto do morro uma pequena vila, cujos moradores decidiram em reunião que dali em diante o lugar seria chamado de Maria da Conceição. MARIA FRANCELINA não gosta que a chamem de Maria Degolada. Dela, pouco se sabe. Que era alemã, segundo registro de óbito na SANTA CASA DE MISERICÒRDIA. É tudo.
Santuário Milagroso "Maria da Conceição". Dizem que só não atende pedido de militares.
Se é lenda, não sabemos...
O resto que sabemos vem da memória dos mais velhos. - Bruno soares Bicudo,que na época do crime tinha 29 anos,foi condenado a 30 anos de trabalho na casa de Correção de Porto Alegre. Ficou a história do morro. A história da MARIA FRANCELINA, que todos hoje chamamos de MARIA DA CONCEIÇÂO. - Seu corpo foi sepultado no jazigo 741 do Cemitério da Santa Casa de misericórdia, em 14 de novembro de 1899, dois dias após sua morte. Nunca se soube de qualquer parente ou registro oficial sobre essa moça.Outra curiosidade sobre o morro - A rua onde esta o Bar do Ricardo , A Rua Caldre e Fião, tem uma peculiaridade:JOSÈ Antonio do Vale Caldre e Fião era um médico que nasceu em Porto Alegre em 1821 e morreu na mesma cidade, em 1876. Radicou-se no Rio de Janeiro, defendeu a causa abolicionista,foi perseguido e retornou ao Rio Grande do sul. Elegeu-se deputado na Assembléia Provincial e presidiu a sociedade Partenon Literário, importante núcleo de efervescência cultural da época. è autor do romance "O CORSÀRIO",de 1849, 0 segundo escrito no Brasil e por que a curiosidade? -Porque Caldre e Fião era amigo do povo. Em especial dos negros. Não esqueçam que a abolição da escravatura só se deu em 1888, 11anos antes da morte de Maria da Conceição.
E Caldre Fião era um abolicionista. Quando um negro ou alguém do povo se via em dificuldades, era a ele que recorriam. Hoje, passados 120 anos da abolição e 109 anos da morte de MARIA FRANCELINA. Lembranças tristes, pesarosas, mas como objeto de dignidade, a mesma dignidade de um Caldre e Fião, de uma Maria Francelina, que se tornou uma espécie de padroeira e protetora de nossa gente.

domingo, 22 de junho de 2008

Na ponte do Açorianos

Estou na ponte do Açorianos, em Porto Alegre, no Bairro Cidade Baixa.
Esta foto foi tirada por minha namorada, numa tarde de inverno do ano de 2007,
logo após ter saido de uma exposição na Escola La salista Pão do Pobres.

Eu mesmo, mesmo eu.


Estou na sala marrom da minha casa imaginária.
No futuro da minha mente... Estou só no fundo,
marrom é a cor da terra.

sábado, 21 de junho de 2008

Atlas, Natasha Atlas


A voz inebriante que está embalou os personagens da Novela “O Clone”, é filha de uma inglesa e pai egípcio chamada Natacha Atlas. A cantora, nascida na Bélgica e de ascendência marroquina, esteve no Brasil em 1997, quando se apresentou no Free Jazz. Amante da música e cultura brasileiras, Natacha está de volta ao país, onde passa férias na casa de seu tio, em São Paulo. Apaixonado pela diva do tribal-house e da ethnic fusion, Marcus Viana, líder do grupo Sagrado Coração da Terra e produtor musical da novela, a convidou para uma participação especial na trama, com o aval do diretor Jayme Monjardim. Impressionado, Jayme já prepara outro projeto para a belga, mas que ainda guarda a sete chaves. Marcus, no entanto, está a mil com a estada da vocalista da banda TransGlobal Underground em solo brasileiro. Todos os dias fala com ela por telefone e revela que tem um projeto de lançar um CD mesclando bossa nova com música para meditação, do qual Natacha deverá participar. Por enquanto, ele se dedica à divulgação de Maktub, disco contendo a trilha instrumental de O Clone. Quem assistiu às cenas do casamento dos personagens de Jade e Zein em “O Clone” deve ter se segurado para não levantar do sofá e cair na dança do ventre. A cantora que animou a festança era a belga Natacha Atlas, que esteve no Brasil especialmente para participar da novela de Glória Perez. O quarto disco da carreira de Natacha, Ayeshteni, foi lançado no País no final daquele ano passado, mas passou despercebido pelo público que não costuma freqüentar as pistas de dança, onde ela é velha conhecida. Criada em um bairro marroquino de Bruxelas, Natacha Atlas aprendeu a falar árabe e a dançar como seus antepassados ainda criança. Na adolescência ela foi para Londres e descobriu que seu negócio era a dance music. A carreira solo começou em 1995, com o ótimo disco Diáspora. Claro, com letras em árabe, mistura rock, batidas eletrônicas, inglês e até francês. De lá para cá foram mais três álbuns que cada vez mais se aproximaram das pistas. Destaque para a versão dançante de “Ne Me Quitte Pas” e “Mactub”.
Mactub
Senhor, venha me ajudar
Clamarei a ti meu Deus
Habib, só tu podes me salvar
Habib, meu querido, venha me ajudar
Habib, não te alongues de mim, pois a angústia está perto
Senhor em ti confio
Não me deixes confundido
Nem que meus inimigos Triunfem sobre mim!
O Senhor dará força ao seu povo
Habib abençoe seu povo com paz
Espere pois no Senhor
Ele então te fortalecerá
Inimigos tentarão me alcançar
Tu Senhor, os fará tropeçar
Habib, venha nos salvar
Sempre iremos te louvar
Deus teve piedade de mim
Ele ouviu o meu pranto
Pois tua palavra é reta
Fiéis são as tuas obras
Deus ouviu o nosso clamor
A terra se abalou
Os montes se moveram
Nos céus o Senhor trovejou
Não confiarei no meu arco
Nem minha espada me salvará
Pois o senhor dos exércitos
O Senhor dos exércitos
O Senhor comigo está!
O Senhor dará força ao seu povo
Te bendirei enquanto eu viver
O meu socorro está no nome do Senhor

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Abu, Múmia Abu-Jamal


Imaginemos o caso de um acusado: não lhe permitem defender-se a sí mismo; as testemunhas de defesa são afastadas. Lhe imputam o homicidio de um policial e o juiz é membro vitalicio da Ordem Fraternal da Policia (FOP). Depois, sua apelação é rechaçada numa corte onde cinco dos sete juizes comprovadamente receberam contribuições e o endoço da FOP para suas respectivas candidaturas. Logo em seguida inventam uma "confissão". Para mim, não se trata de "imaginação" o porque das coisas acontecerem dessa forma.
Mumia Abu-Jamal, Source, fevereiro de 1999
Mumia Abu-Jamal está a anos no corredor da morte, acusado falsamente de matar um policial branco da Filadélfia. Não recibeu um julgamenteo imparcial; o sentenciaram a morte por suas crenças políticas.
Mumia militou nos Panteras Negras da Filadelfia ainda na tenra idade dos 15 anos; foi da comissão de informações. Posteriormente, trabalhou como jornalista em uma emissora de rádio, os ouvintes lhe chamavam de a "voz dos que não tem voz". Defendeu a MOVE, um grupo de revolucionários negros, e denunciou os ataques policias contra eles. Colocou seu talento jornalístico a serviço do povo, criticando o racismo e a brutalidade policial. Em 1980, com a idade de 26 anos, foi eleito presidente da sessão Filadélfia da Associação dos Jornalistas Negros.
Por todas essas razões a policia e as autoridades odiavam Mumia. Tentaram matá-lo, mas fracassaram; então o acusaram falsamente de homicidio de um policia chamado Daniel Faulkner. Mumia tem passado os últimos 17 anos no corredor da morte, em isolamento total 23 horas por dia. Todo contato físico com seus familiares lhe é negado. As autoridades penais abrem e fotocopiam correspondência confidencial sobre seu processo judicial. Foi castigado por escrever o livro Live from Death Row. Proibiram seus comentários através do rádio. Nas palavras de Mumia: "Não basta minha morte, querem meu silencio".
Mumia dedicou toda sua vida ao povo, sobretudo aos que vivem nos guetos e nos bairros pobres, e aos presos. A brutalidade, o isolamento, as calúnias, a censura, nada disso o tem abatido; mantêm sua conciência e o firme compromisso revolucionário.
É uma profunda injustiça que este companheiro esteja condenado a morte. E esta historia de injustiça é muito maior que a história de um só homem: é uma concentração do tratamento rotineiro a que estão submetidos os negros que caem nas mãos da polícia, dos tribunais, dos cárceres, dos meios de comunicação. Ademais, mostra como o governo trata a oposição política, especialmente aos revolucionários que logam conectar-se com os excluídos da sociedade. O que fazem a Mumia demonstra patentemente por que este governo e sistema judicial não deve ter o poder de executar seres humanos. O sistema está construindo cárceres a torto e a direito, está criminalizando toda uma nova geração. Há uma epidemia de brutalidade e assassinato policial; a policia faz o papel de juiz, jurado e verdugo em nossas comunidades. Com suas leis de "tres strikes" condenam milhares de jóvens a passar o resto da vida atrás das grades. As execuções continuam a todo vapor; os politiqueiros pedem mais cárceres, mais policias, mais castigos e mais execuções. Para todos os que querem parar estas medidas fascistas, a luta em defesa de Mumia é a chave da frente de batalha.
Condenado a morte por suas crenças políticas
Em 9 de dezembro de 1981, Mumia Abu-Jamal estava dirigindo seu taxi no centro da Filadelfia. Viu que um policial golpeava seu irmão, William Cook, com uma lanterna metálica; acudiu correndo; houve luta. Enquanto Mumia sangrava na calçada de um tiro no peito, o tira Daniel Faulkner, estava a ponto de morrer. Acusaram Mumia de homicidio e não ficou livre sequer um dia depois daquela tarde.
Dois meses depois de que foi preso, Mumia escreveu: "É um pesadelo que meu irmão e eu estejamos nessa situação horrivel, especialmente quando meu principal acusador, a polícia, também foi meu atacante. Parece que meu verdadeiro crime foi ter sobrevivido a seus ataques, mas essa noite as vítimas fomos nós".
A verdade é que a polícia tentou matá-lo várias vezes naquela noite. Primeiramente, recebeu um tiro na esquina da Locust com a 13. Mais tarde, quase morto pelo tiro que lhe perfurou um pulmão e o diafrágma, os agentes que participaram do incidente lhe golpearam violentamente e bateram sua cabeça contra um poste um poste.
Mumia despertou no hospital depois de uma cirurgia. Recebera muitos pontos e estava com tubos no nariz. Enquanto sentia intensa dor na bexiga e nos rins, um policial colocava o pé em cima do recipiente da urina, impedindo a drenagem, ao mesmo tempo que sorria.
Mais tarde, depois que os médicos lhe avisaram que poderia contrair pneumunia no pulmão perfurado e que isto poderia matá-lo, o fizeram passar noite após noite em uma cela fria.
Em 1o. de junho de 1982, teve início o julgamento de Mumia no tribunal do juiz Albert Sabo. Em 3 de julho, foi condenado a morte devido as mentiras do governo, enquanto este afirma que não acusa, não encarcera, nem executa ninuguém pelas suas crenças ou atividades políticas. Contudo, é patente que condenaram Mumia em uma farsa de julgamento -- e o pretendem executar--porque é um revolucionário de grande influência poítica.
Desde quando frequentava o partido dos Panteras Negras para a Libertação, Mumia estava em sua mira. Foram publicadas mais de 800 páginas sobre os expedientes secretos da policia política sobre Mumia. Há documentos que comprovam que o governo federal e o governo da Filadelfia se empenharam em seguir seus passos, quando tinha apenas 14 anos! Aos 15 anos, Mumia foi um dos fundadores da sessão Filadelfia do partido dos Panteras Negras para a Libertação. Aos 17 anos, ocupava o cargo de secretário na comissão de informações e redator do periódico Black Panther. Essa experiencia "deu a ele um caráter distintivamente antiautoritario e antisistema que sobrevive até hoje".
Grampearam seu telefone e enviaram informantes para seguir seus passos. Interrogarm e hostilizaram seus amigos e professores. A policia da Filadélfia, sob o comando do chefe de polícia Frank Rizzo, levou a cabo uma brutal campanha de repressão contra os Panteras.
Durante os anos 70, Mumia seguiu servindo o povo. Em seu trabajo jornalistico, denunciou a selvageria e o racismo do Departamento de Polícia da Filadélfia, especialmente sua campanha contra a organização dos negros utópicos radicais MOVE.
Em 1978, depois de 10 meses de assédio, um exército de 500 policiais atacou a sede do MOVE em Powelton Village. Os 15 militantes do MOVE foram condenados pela morte de um policial durante o fogo cruzado de um ataque. Mumia divulgou o julgamento e deu seu apoio ao MOVE.
Nas ruas, os ouvintes o chamavam de "voz dos que não tem voz", enquanto que as autoridades da Filadelfia o odiava. Rizzo ameaçou Mumia; dizendo que seus informes "tinham que parar.... Um dia, e espero que seja sob meu comando... terá que pagar pelo que está fazendo hoje".
Na audiência da sentença pelo homicídio de Faulkner, o subpromotor McGill argumentou que seus 12 anos de militancia justificavam uma pena de muerte. Perguntou para Mumia: "Alguma vez você disse que o poder nasce do fusil?" Mumia respondeu: "Este é um ditado de Mao Tsetung. Os Estados Unidos roubaram a terra dos indígenas, e não o fez com sermões do cristianismo e civilização. Creio que os Estados Unidos demonstaram que o ditado é verdadeiro".
Por suas crenças políticas, o juiz Sabo o condenou a morte. Mumia resume tudo com estas palavras: "A pura verdade é que para os negros, para os pobres, os portorriquenhos e os indígenas que sobreviveram ao genocidio, a justiça é uma mentira, uma embromação, uma treita.... Sou inocente das acusações que me tem imputado, apesar da confabulação de Sabo, McGill e Jackson para negar-me o suposto `direito' de representar-me eu mesmo, de contar com meu proprio assessor, de escolher um jurado de meus iguais, de interrogar a testemunhas e de fazer declarações do princípio até a conclusão do julgamento. Sou inocente apesar do que vocês 12 pensam, e a verdade me libertará!... Em 9 de dezembro de 1981 a policia tentou me executar na rua. Este julgamento está acontecento porque falharam.... O sistema não perde tempo! Mas um dia a casa cai!"
A farsa do julgamento
O juiz Sabo está relacionado à maior quantidade de sentenças a morte do país; seis ex fiscais da Filadelfia afirmaram em declarações sob juramento que esse juiz é parcial.
Durante a seleção do juri, não permitiram que Mumia proseguisse interrogando aos candidatos, com o pretexto racista de que sua aparencia (um negro com barba e dreadlocks) "intimidava" aos potenciais jurados. Contra a vontade de Mumia, a corte nomeou Tony Jackson como seu advogado. Quando Jackson recusou-se em participar na seleção do juri no lugar de Mumia, Sabo o ameaçou de prisão.
Então, Sabo resolveu ele mesmo escolher o juri! Não escolheu nenhuma pessoa que se opusesse a pena de morte. O promotor usou a faculdade de recusa sem causa para rechaçar 11 afro-americanos (hoje, sabe-se que o promotor da Filadélfia elaborou um vídeo de capacitação para ensinar essa prática racista a novos promotores). No final, Mumia acabou diante de apenas um jurado negro.
A discriminação de Sabo contra Mumia foi indignante: disse que Mumia estava causando disturbios; durante grande parte do julgamento o expulsou do tribunal. Rechaçou o pedido de que John Africa (o fundador do MOVE) assessorasse Mumia. O investigador da defesa renunciou antes do julgamento porque a corte não autorizou fundos para o pagamento de um especialista em balística e de um patologista.
A campanha de mentiras
O juiz Sabo é membro vitalicio da Ordem Fraternal da Policía (FOP) e cinco dos sete magistrados da Suprema Corte da Pensilvania, que rechaçaram a apelação de Mumia, receberam contribuições ou o endosso da FOP para sua candidatura. Ademais, a FOP orquestrou uma campanha em pró de sua execução: além de piquetear as reuniões de apoio a Mumia; escreveram cartas a de ameaça a proeminentes opositores de sua execução; incitaram a viúva de Faulkner a pronunciar mentiras por todo lado; e, de mãos dadas com a grande imprensa iniciaram uma campanha para caluniar os partidários de Mumia e tergiversar as informações.
Depois da farsa do julgamento, passaram em seguida a divulgar as mentiras incessantes da FOP e da imprensa: que as testemunhas identificaram Mumia como o homicida, que confessou no hospital, que sua arma matou Faulkner.
Mas a verdade é que as autoridades inventaram provas, coagiram as testemunhas, fabricaram uma "confissão" e ocultaram provas.
Coação de testemunhas
A promotoria intrevistou mais de 100 testemunhas, mas apenas apresentou as poucas testemunhas dispostas a apoiar sua versão dos fatos, e não passou os nomes dos demais para a defesa. Mumia não tinha dinheiro para contratar investigadores e buscar as testemunhas.
Antes do julgamento, quatro testemunhas disseram que viram um homem sair correndo do lugar onde ocorreram os fatos, mas a promotoria ocultou isso ao juri e os coagiu a respaldarem a versão oficial. Quer dizer, Veronica Jones, Robert Chobert y Cynthia White apoiaron a versão da promotoria porque a promotoria lhes ameaçou.
Em 1996, Veronica Jones deixou escapar que a policia lhe havia coagido. Inicialmente, Jones tinha dito a política que viu um homem em fuga. Mas durante o julgamento, disse que não viu um homem em fuga e essas coisas prejudicaram Mumia. Agora, em uma declaração sob juramento, Jones admitiu que mentiu devido a ameaças da policia. Disse que dois tiras foram ve-la no cárcere pouco antes do julgamento de 1982 e lhe disseram que se seu testemunho ajudasse a Mumia, perderia seus filhos e seria presa. Quando Verônica Jones deu esse testemunho em 1996, a corte tomou represalias; foi detida devido a uma velha ordem de prisão.
A equipe de defesa, encabeçada por Leonard Weinglass, apresentou a declaração de Verônica Jones à Suprema Corte da Pensilvania, junto com uma moção para uma audiencia. Mas a corte enviou a documentação para Sabo, o mesmíssimo juiz que presidiu o complô contra Mumia! O resultado não surpreendeu ninguém: Sabo disse que as novas provas não eram válidas e rechaçou a petição de um novo julgamento.
Está claro que Robert Chobert e Cynthia White--duas testemunhas que disseram que Mumia matou Faulkner--receberam favores da promotoria.
Robert Chobert, um taxista branco, disse para a policia na mesma noite que o assassino era um homem grande e gordo (de mais de 200 libras) e que fugiu. Essa informação seria muito favorável para a defesa: Mumia era fraco, tinha graves feridas estava caido na calçada incapaz de fugir. Sem dúvida, Chobert mudou sua versão dos fatos durante o julgamento. O juri nunca foi informado de que estava em libertade condicional por um delito grave, e que por essa razão era vulnerável às chantágens da policia.
Cynthia White, testemunha chave da promotoria, corroborou a versão oficial. Mas segundo outras testemunhas, ele nem sequer estava presente no momento em que os fatos aconteceram, mas que chegou depois do incidente. Depois da prisão de Mumia prenderam Cynthia White várias vezes por prostituição. Cada vez que prendiam, mudava sua "versão" da morte de Faulkner. A policia a retirou do cárcere para testemunhar, e depois do julgamento lhe permitiram voltar a trabalhar como prostituta com proteção policial.
Em 1997, os advogados de Mumia apresentaram uma declaração sob juramento de outra testemunha do julgamento de 1982. Nessa declaração, Pamela Jenkins, uma ex-prostituta, dizia que a polícia a obrigou a mentir dizendo que Mumia tinha sido o pistoleiro; ela não estava no local na hora dos fatos; e não cedeu à pressão da policía. Também declarou que sua amiga Cynthia White (a principal testemunha da promotoria em 1982) confessou a ela que testemunhou contra Mumia porque a policía lhe a meaçou de morte. Na audiencia de junho de 1997, Sabo mais uma vez rechaçou a nova prova.
Outra testemunha, Dessie Hightower, não alterou sua versão de que Mumia não disparou, inclusive quando lhe submeteram a um detector de mentiras, mas não testemunhou em juízo porque a promotoria ocultou esses fatos da defesa. A quarta testemunha, William Singletary, disse primeiro que Mumia não fui o assassino. Mais tarde a policia o obrigou a assinar uma declaração de que não viu nada. Lhe ameaçaram tanto que teve que se mudar da Filadélfia antes do julgamento.
A "confissão" fabricada
Aquela noite, Faulkner baleou Mumia e os outros policiais o golpearam; depois o levaram ao hospital onde, segundo a promotoria, fizera uma espetacular confissão. Mas o agente Gary Wakshul, que escreveu em seu relatório que "o homem negro não havia feito nenhuma declaração", todos esses fatos ficaram ocultos durante o julgamento. Quando os advogados da defesa trataram de chamá-lo para testemunhar, a promotoria disse que ele estava viajanto em férias. Sabo não permitiu a realização do julgamento. Na realidade, Wakshul estava em casa e poderia ter testemunhado.
Em 1995, Wakshul chegou a dizer que não se "recordava" de nenhuma confissão porque estava "angustiado". Depois passou a admitir que "recordou" a confissão dois meses mais tarde, depois de reunir-se com o subpromotor McGill e outros policias. Não cabe dúvida de que essa "confissão" foi inventada pela policía.
O médico que atendeu a Mumia disse que ele não confessou coisa alguma. Dois meses depois, um segurança apareceu com a história de uma "confissão".
Falta de provas
Por outro lado, a promotoria afirmou que as provas balísticas incriminavam Mumia. Mas a policía não examinou nem a pistola de Mumia, nem suas mãos para saber se foi ele quem disparou. Tampouco demonstrou que a referida arma, foi a arma que matou o policial. Ademais, "perderam" o fragmento da bala que foi extraída pelo médico forense. A policía afirma que Mumia recebeu um tiro quando estava parado em cima de Faulkner, mas o informe do médico afirma que a bala percorreu uma trajetória de baixo para cima. Isso confirma o testemunho de Mumia de que Faulkner atirou nele.
Finalmente, o acusaram e condenaram falsamente: houve uma conspiração para rechaçar jurados, apresentar testemunhos chôcos, ocultar provas e impossibilitar uma defesa adequada; depois o condenaram a muerte por suas crenças e atividades revolucionarias.
A luta contra a execução de Mumia
Em 2 de junho de 1995, o governador da Pensilvania, Tom Ridge, assinou uma ordem de execução fixando inclulsive a hora: às 10 da noite de 17 de agosto de 1995. O advogado de Mumia, Leonard Weinglass, deu início a uma Apelação de Recurso Post-Condena (PCRA) para impedir a execução e realizar um novo julgamento. Anexou um documento de 300 páginas que, segundo Weinglass, demostrou: "... sem sombra de dúvida que Mumia, que se declarou inocente desde o primeiro momento, foi vítima de um processo judicial políticamente motivado e racista, que suprimiu provas que comprovariam sua inocencia". Ao mesmo tempo, os advogados entraram com uma Moção de Recusa para que não se permitisse ao juiz Sabo avaliar aa apelação de Mumia. Sabo rechaçou a moção, apesar das muitas provas apresentadas pelos advogados de seu claro prejuizo contra Mumia. Apesar de tudo isso, os advogados de Mumia apresentaram muitas provas que demostraron que merece um novo julgamento. Mas tres días depois de terminada a audiencia, Sabo rechaçou a petição de um novo julgamento. E a orden de execução continua de pé.
Um amplo e resoluto movimento internacional lutou bravamente contra a execução e Mumia chegou a a ponto de ser um símbolo da injusticia do sistema. Manifestações foram feitas em muitas cidades dos Estados Unidos e de outros países. Artistas, escritores e outras figuras proeminentes o defenderam públicamente. E nos guetos e bairros, um movimento resoluto demonstrou força ao se escorar na força dos oprimidos. Finalmente, o poder do povo obrigou o governo a voltar atraz e cancelar a execução. Mas, todavia, ainda querem matá-lo. Nas palavras de Mumia: "No momento não estou sob uma ordem de execução, mas continuo sentenciado a morte. Portanto, permaneço no inferno".
Desde as masmorras, Mumia esgrima sua pluma; denuncia os crimes do sistema e inspira o povo. Seus inimigos jamais pararam em suas tentativas de sufocar sua voz. Em 1994, a rede nacional de radio pública (NPR) anunciou que iria transmitir os comentarios de Mumia, mas se dobraram diante das pressão de policiais e politiqueiros. Quando Mumia encontrou uma editora para publicar seu livro Live from Death Row, a policía lançou uma campanha para impedir sua publicação, mas fracassou. *****
Em 29 de outubro de 1998, em uma decisão unânime, a Suprema Corte da Pensilvania rechaçou a petição de um novo julgamento, o qual demonstra claramente que o governo tomou uma decisão política de seguir adiante com o plano de executar Mumia. É uma clara declaração, que redobrarão os ataques contra Mumia.
Cabe ao povo salvar sua vida: há que se dar uma poderosa resposta, há que dizer com toda clareza: NÃO PERMITIREMOS QUE EXECUTEM MUMIA ABU-JAMAL!
É necessário que milhões de pessoas comprendam que não devem ficar de braços cruzados diante de uma execução política. Há que se ganhar esta batalha. Não permitiremos que o sistema roube a vida de nosso companheiro Mumia porque ele é muito valioso para os oprimidos e para aqueles que anseiam por justiça.
PAREM A EXECUÇÃO DE MUMIA ABU-JAMAL!
Este artigo foi publicado originalmente em "Obrero Revolucionario", 25 de abril, 1999; publicação editada eM Chicago, EE.UU.

O Barbeiro e o Açogueiro


O filme do barbeiro Sweeney Todd, Johnny Depp, é preso injustamente por determinação do juiz Turpin, Alan Rickman. Ao sair da cadeia, ele coloca em prática a sua vingança, reabrindo a barbearia e se tornando o Barbeiro Demoníaco de Fleet Street, porém seus clientes sempre desaparecem. Mrs. Lovett, Helena Bonham Carter, é uma famosa quituteira que se une ao barbeiro. Na verdade, ela é uma serial killer que usa os restos mortais de suas vítimas para assar tortas que viram a sensação de Londres. Com a nova parceria, os ingredientes são fornecidos por Sweeney Tood. Vi muita gente correr do cinema, pelo suco de beterraba que escorre da cadeira do barbeiro até as valas da velha Londres. Jonhy Deep dá um show de atuação, assim como em Piratas do Caribe e o Libertino. O filme é um ótimo musical, gótico. Marcado por contrastes de sua vida passada, onde tudo era mais claro, barker verbaliza ao lado de Helena e, a vida que ele adotou, agora marcada pelo sombrio.
O filme do barbeiro se assemelha a do açougueiro que adorava fazer lingüiça. O chamado Crime da Rua do Arvoredo é um episódio que ocorreu em 1864, na cidade de Porto Alegre.
Um sujeito chamado José Ramos, que era na verdade um inspetor de polícia de Santa Catarina, teria comprado ou alugado uma casa na antiga Rua do Arvoredo, atual Rua Fernando Machado, de um sujeito chamado Carlos Klaussner, antigo dono de um açougue que funcionava no mesmo local.
Consta que o tal homem gostava de música, andava bem vestido, enfim, era, como se dizia na época, um boa-vida. Tempos depois ele conheceu Catarina Palsen, com quem passou a viver, e a praticar os tais crimes.
Ao que tudo indica, ela, Catarina, de origem húngara, e de grande beleza, atraía as vítimas para a tal casa-açougue, para que fossem mortas por José Ramos, esquartejadas e, com a carne, eram fabricadas lingüiças, vendidas no comércio de Porto Alegre.
Nesse ponto "inicia a lenda", pois os processos criminais a que José Ramos respondeu, existem, mas neles não consta que as vítimas eram transformadas em lingüiça. Segundo o historiador Décio Freitas, autor do livro O Maior Crime da Terra (Editora Sulina, 1998), os processos estão incompletos, faltam folhas, é todo manuscrito, e, se realmente a história é verdadeira, nunca se saberá, pois somente as folhas faltantes nos autos é que poderiam dar algum indício sobre a veracidade das tais lingüiças, ou não. O fato é que hoje existe o crime, porém as provas sobre as lingüiças fabricadas com carne humana foram consumidas no decorrer do processo e o passar dos anos. Foram quatro vítimas, contando com um cachorrinho preto e um garoto de 14 anos, todos encontrados no porão da casa do casal José Ramos e Catharina Palsen. Um dos cadáveres havia sido retalhado com a cabeça e membros separados do corpo. A polícia acreditava que duas das vítimas haviam sido mortas por causa de seus bens. Na época, Porto Alegre tinha um grande número de imigrantes, sendo uma das vítimas um alemão, e por isso, falavam-se várias línguas diferentes. Talvez seja daí que tenha surgido a lenda e, que ela tenha se espalhado, que era feita lingüiça dos restos mortais das vítimas e que era vendido num movimentado açougue da cidade. Porém, nada sobre essa lenda, constam nos arquivos da polícia. Esse crime, além de mexer com a imaginação das pessoas provocou também uma grande reviravolta e repugnância na vida das pessoas.