
As comunidades Jamaicanas (Garveytas), formadas na década de vinte, encaravam a África como a terra prometida, em especial à Etiópia, por tratar de um império africano milenar jamais colonizado e responsável pela preservação de uma cultura sem grandes influencias européias. A Etiópia possui cerca de cem dialetos e o aramaico como língua oficial, também reivindica uma ancestralidade Bíblica, pois afirmam que seus reis são descendentes da união da rainha etíope Makeda de Sabá com o rei Salomão de Jerusalém, filho do rei Davi, dessa união teria nascido Menelik I (também chamado de Davi, na Etiópia) e a partir de então surgiria a dinastia salomônica em terras Etiópes. Os textos bíblicos apresentão o rei Salomão como um dos descendentes de Jesus Cristo e o livro etíope Kebra Nagast o encontro do rei Salomão de Jerusalém com a rainha de Sabá e consequentemente a origem da árvore genealógica do maior império africano de todos os tempos, Etiópia, antiga Abissínia (também chamada de Axum e Cash) a única nação Africana citada em todas as versões da bíblia. O Kebra Nagast é considerado um texto sagrado tanto para os cristãos ortodoxos da Etiópia quanto para os rastafaris jamaicanos. Segundo conta sua história, a rainha Makeda (também chamada Balkis ou Belkis) de Sabá (sul), rainha da Etiópia, sabendo da existência de um sábio rei de Jerusalém, profundo conhecedor das leis divinas, resolveu visitá-lo para conhecer seu reinado e suas convicções religiosas. A rainha foi recepcionada no palácio de Salomão, que a introduziu na crença de um Deus único e nos princípios da fé judaica. O rei de Jerusalém gostaria de passar à noite com a rainha virgem e ter com ela uma relação sexual, mas esta recusou o convite, porém Salomão propôs um acordo onde ela não poderia usar nenhuma riqueza sua. Acreditando ser muito rica e poderosa, a rainha de Sabá não tinha duvidas de que não precisaria das riquezas materiais do rei, porém antes de dormir, Salomão ordenou para que seus empregados colocassem bastante sal no jantar da rainha, colocando também um jarro d´agua na cabeceira de sua cama. Na madrugada, Makeda sentiu sede e bebeu a água, o rei levantou-se e afirmou que ela havia consumido um grande tesouro de seu reino e perguntou se a rainha de Sabá conhecia maior riqueza que a água. Ambos se apaixonaram e deste encontro à rainha voltou grávida para Etiópia, deixou animais raros e obras de arte que com muito custo havia carregado com sua caravana ao longo da árdua travessia ao oriente e retornou à África com um presente histórico: O anel que trazia a marca do leão, símbolo da tribo de Judá, também da família de Salomão. Seu filho Ebna cresceu sem saber sobre a identidade de seu pai e ao torna-se adulto conheceu a verdade através da rainha. Ebna foi coroado e nomeado Menelik I e viajou para Jerusalém a fim de encontrar com seu pai. No primeiro momento Salomão duvidou da veracidade de sua paternidade, mas com o passar do tempo sentiu afinidade com o rapaz e ao ver o antigo anel no dedo de Menelik reconheceu a sua descendência. A partir de então o rei conviveu com Menelik I e entregou grandes segredos de Jerusalém ao Jovem Etíope. Salomão passava por dificuldades em sua terra natal e confiou-lhe a arca da aliança, contendo os dez mandamentos originais de Moisés; Menelik I por ordem de seu pai levou as ?Tábuas de Moisés? para a Etiópia e fez essa viagem acompanhada por doze mil israelenses judeus. Segundo a Igreja Ortodoxa Copta Etíope, a arca mantém-se lá ainda nos dias de hoje e é vigiada e contemplada, por um único sacerdote, que dedica toda sua vida para guardá-la, sendo substituído ao longo das gerações.
Dessa forma nasceu a dinastia de Salomão na Etiópia, através de uma grande linhagem de reis com laços sanguíneos que veio a suceder-se e atualmente, no dia da comemoração do arcanjo Miguel, os cristãos etíopes desfilam pelas ruas do país com réplicas da Arca da Aliança, também chamada Arca da Convenção. A dinastia que nasceu com Menelik I, filho do rei Salomão com a rainha de Sabá, introduziu a tradição judaica na Etiópia e desde então o Leão de Judá tornou-se o símbolo da família real. Dessa família uma sucessão de reis se desenrolou, recebendo títulos bíblicos como Salomão, Jacó, Davi, entre outros e no quarto século da era cristã a família real se converteu ao cristianismo ortodoxo, por influência dos egípcios, fundando a Igreja Ortodoxa Copta da Etiópia, no mesmo século em que surgia a Igreja Católica Apostólica Romana, com algumas diferenças doutrinárias. Os Etíopes afirmam que a Arca da Aliança, contendo os dez mandamentos originais de Moisés permanece na África por solicitação do próprio Salomão, já a Igreja católica romana afirma que os dez mandamentos se perderam ao longo da história e não reconhece nenhuma outra versão. Além disso, segundo os ortodoxos egípcios, etíopes, assim os armênios, a pessoa de Jesus Cristo, embora tenha sido um homem encarnado, apresentava uma única natureza estritamente divina e apenas em 1054 no concílio da Calcedônia declararam a sua crença monofisista (uma única natureza física de Jesus) e se distanciaram da crença romana que supõe duas naturezas, a humana e a divina, convivendo simultaneamente na personalidade de Cristo. Durante séculos, os reis e rainhas da Etiópia mantiveram a tradição unicamente judaica, até a conversão de Frumêncio ao cristianismo. Este havia sido um escravo da corte de Axum (Etiópia) e por sua vocação ao estudo, havia conquistado a confiança do rei, tornando-se ele mesmo o secretário particular do monarca e responsável pela educação de seus filhos.
No século IV, mesmo século em que surgia a instituição católica apostólica romana, os egípcios (também chamados de coptas) cristãos realizavam suas práticas religiosas (jejum e oração) no deserto do Egito e eram considerados padres do deserto, entre eles estavam Antão e Atanásio (mais tardes considerados santos). Frumêncio após ganhar a liberdade, visitou o Egito e tornou-se um dos mais dedicados discípulos de Atanásio, recebeu dos cristãos coptas o titulo de Aba (pai) Salama (portador da luz) e voltou para Axum como o primeiro bispo da Etiópia, também chamado de ?inicio da luz?. Canonizado e conhecido hoje como São Frumêncio, fundou, por incentivo de Atanásio, a Igreja Ortodoxa Copta da Etiópia que passou a fazer parte do bloco das igrejas orientais. A partir de então os reis etíopes da dinastia de Salomão passaram a se identificar como reis cristãos ortodoxos e São Jorge foi escolhido o padroeiro da Nação. Outros episódios marcaram a entrada do cristianismo na história da lendária Abissínia, mesmo antes do surgimento da Igreja Ortodoxa. Dizem que o apostolo Mateus foi viver na Etiópia após a morte de Jesus, a fim de evangelizar os africanos e ao chegar lá atraiu um grupo formado em sua maioria por mulheres, liderada pela princesa Ifigênia. O rei da Etiópia, indignado com a postura da filha que havia negado o convite de casamento de um poderoso príncipe africano, solicitou a ajuda de Mateus, por considerar sua forte influência sobre a princesa. O apóstolo então respondeu que sua ajuda consistiria em respeitar a vontade de Ifigênia (que não queria se casar) e por este motivo o rei ordenou que Mateus fosse assassinado. A princesa escondeu-se com suas companheiras por durante muitos anos, dedicou sua vida ao cristianismo e aos ensinamentos de Mateus, fundou o primeiro convento da Etiópia, ainda nos primeiros anos da era cristã e é atualmente conhecida em todo mundo, até mesmo entre os católicos romanos, como a Santa Ifigênia, a primeira santa negra da história. Também acreditasse na Etiópia que o Apóstolo Felipe, anos após a morte de Jesus, recebeu um chamado divino e caminhou para Jerusalém na direção sul, encontrando com um eunuco etíope, tesoureiro e ministro da rainha Candace da Etiópia, que chegava a Jerusalém a fim de estudar as escrituras bíblicas. O eunuco lia um trecho do livro de Isaias do antigo testamento (que falava da vinda do messias) e não compreendia a passagem da bíblia. Felipe contou-lhe a vida de Jesus, dizendo tratar-se da confirmação das palavras proféticas de Isaias. Enquanto percorriam um longo caminho se depararam com um rio, onde o etíope pediu para ser batizado, Felipe então realizou o seu pedido e assim o eunuco, até então judeu, levou sua nova crença para a Etiópia, convertendo a rainha Candace. Com o surgimento da Igreja Ortodoxa na Etiópia, os reis começaram a responder pelo estado, pelas forças armadas, sendo também líderes da Igreja. Por discordar de certos dogmas católicos, o imperador etíope passou a substituir a figura do papa, recebendo títulos de suma importância. Ao longo da história, os imperadores da Etiópia receberam nomes como Yeshua, I, II, III e IV, assim como Newaya Kristos, Yohannes (João) I, II, III e IV, entre outros. Além disso, o detentor do trono Etíope era presenteado com o manto escarlate bordado a ouro, o cetro, duas lanças de ouro e o anel de diamante com a figura do Leão de Judá (que afirmavam ser o anel legitimo de Salomão dado ao seu filho Etíope Menelik I), num ritual repleto de simbolismo e ministrado pelo arcebispo da igreja ortodoxa.
Quando em 1930, Ras (Líder, Cabeça) Tafari foi coroado imperador da Etiópia, passou a ser chamado pelo nome de Haile Selassié I, que em aramaico significa poder da trindade. Para os jamaicanos, a coroação Selassié I, sua ascendência bíblica e seus títulos divinos (Rei dos reis, Senhor dos senhores e leão conquistador da tribo de Judá), afirmavam a profecia de Marcus Garvey sobre a vinda do rei negro e assim como os seguidores de Cristo ficaram conhecidos como os cristãos, desde então os seguidores de Ras Tafari foram identificados como os rastafaris. Ras Tafari foi o 225º descendente de sua dinastia e na Jamaica vários pregadores se popularizaram por afirmar a fé em sua divindade. Assim, estabeleceram-se diversas vertentes nas montanhas jamaicanas, fazendo do movimento rastafari um grupo eclético, com muitos rituais e regras variadas, sendo, portanto, curiosamente um dos únicos fenômenos religiosos relativamente sem liderança. O papel de Marcus Garvey e Ras Tafari, assim como outros símbolos específicos gerou uma espécie de versatilidade religiosa para o rastafarianismo. Para muitos rastas, Haile Selassié I representa a única e definitiva vinda do messias, salvador da humanidade e se distanciaram do simbolismo de Jesus por sua imagem e propaganda européia, para outros, Ras Tafari é a volta de Jesus Cristo, enquanto diversas comunidades rastafaris surgiram com opiniões distintas e algumas delas seus líderes eram também venerados. A partir de então algumas segmentações começaram a ocorrer no movimento, embora diversos traços culturais em comum possam ser encontrados até os dias de hoje.
Dessa forma nasceu a dinastia de Salomão na Etiópia, através de uma grande linhagem de reis com laços sanguíneos que veio a suceder-se e atualmente, no dia da comemoração do arcanjo Miguel, os cristãos etíopes desfilam pelas ruas do país com réplicas da Arca da Aliança, também chamada Arca da Convenção. A dinastia que nasceu com Menelik I, filho do rei Salomão com a rainha de Sabá, introduziu a tradição judaica na Etiópia e desde então o Leão de Judá tornou-se o símbolo da família real. Dessa família uma sucessão de reis se desenrolou, recebendo títulos bíblicos como Salomão, Jacó, Davi, entre outros e no quarto século da era cristã a família real se converteu ao cristianismo ortodoxo, por influência dos egípcios, fundando a Igreja Ortodoxa Copta da Etiópia, no mesmo século em que surgia a Igreja Católica Apostólica Romana, com algumas diferenças doutrinárias. Os Etíopes afirmam que a Arca da Aliança, contendo os dez mandamentos originais de Moisés permanece na África por solicitação do próprio Salomão, já a Igreja católica romana afirma que os dez mandamentos se perderam ao longo da história e não reconhece nenhuma outra versão. Além disso, segundo os ortodoxos egípcios, etíopes, assim os armênios, a pessoa de Jesus Cristo, embora tenha sido um homem encarnado, apresentava uma única natureza estritamente divina e apenas em 1054 no concílio da Calcedônia declararam a sua crença monofisista (uma única natureza física de Jesus) e se distanciaram da crença romana que supõe duas naturezas, a humana e a divina, convivendo simultaneamente na personalidade de Cristo. Durante séculos, os reis e rainhas da Etiópia mantiveram a tradição unicamente judaica, até a conversão de Frumêncio ao cristianismo. Este havia sido um escravo da corte de Axum (Etiópia) e por sua vocação ao estudo, havia conquistado a confiança do rei, tornando-se ele mesmo o secretário particular do monarca e responsável pela educação de seus filhos.
No século IV, mesmo século em que surgia a instituição católica apostólica romana, os egípcios (também chamados de coptas) cristãos realizavam suas práticas religiosas (jejum e oração) no deserto do Egito e eram considerados padres do deserto, entre eles estavam Antão e Atanásio (mais tardes considerados santos). Frumêncio após ganhar a liberdade, visitou o Egito e tornou-se um dos mais dedicados discípulos de Atanásio, recebeu dos cristãos coptas o titulo de Aba (pai) Salama (portador da luz) e voltou para Axum como o primeiro bispo da Etiópia, também chamado de ?inicio da luz?. Canonizado e conhecido hoje como São Frumêncio, fundou, por incentivo de Atanásio, a Igreja Ortodoxa Copta da Etiópia que passou a fazer parte do bloco das igrejas orientais. A partir de então os reis etíopes da dinastia de Salomão passaram a se identificar como reis cristãos ortodoxos e São Jorge foi escolhido o padroeiro da Nação. Outros episódios marcaram a entrada do cristianismo na história da lendária Abissínia, mesmo antes do surgimento da Igreja Ortodoxa. Dizem que o apostolo Mateus foi viver na Etiópia após a morte de Jesus, a fim de evangelizar os africanos e ao chegar lá atraiu um grupo formado em sua maioria por mulheres, liderada pela princesa Ifigênia. O rei da Etiópia, indignado com a postura da filha que havia negado o convite de casamento de um poderoso príncipe africano, solicitou a ajuda de Mateus, por considerar sua forte influência sobre a princesa. O apóstolo então respondeu que sua ajuda consistiria em respeitar a vontade de Ifigênia (que não queria se casar) e por este motivo o rei ordenou que Mateus fosse assassinado. A princesa escondeu-se com suas companheiras por durante muitos anos, dedicou sua vida ao cristianismo e aos ensinamentos de Mateus, fundou o primeiro convento da Etiópia, ainda nos primeiros anos da era cristã e é atualmente conhecida em todo mundo, até mesmo entre os católicos romanos, como a Santa Ifigênia, a primeira santa negra da história. Também acreditasse na Etiópia que o Apóstolo Felipe, anos após a morte de Jesus, recebeu um chamado divino e caminhou para Jerusalém na direção sul, encontrando com um eunuco etíope, tesoureiro e ministro da rainha Candace da Etiópia, que chegava a Jerusalém a fim de estudar as escrituras bíblicas. O eunuco lia um trecho do livro de Isaias do antigo testamento (que falava da vinda do messias) e não compreendia a passagem da bíblia. Felipe contou-lhe a vida de Jesus, dizendo tratar-se da confirmação das palavras proféticas de Isaias. Enquanto percorriam um longo caminho se depararam com um rio, onde o etíope pediu para ser batizado, Felipe então realizou o seu pedido e assim o eunuco, até então judeu, levou sua nova crença para a Etiópia, convertendo a rainha Candace. Com o surgimento da Igreja Ortodoxa na Etiópia, os reis começaram a responder pelo estado, pelas forças armadas, sendo também líderes da Igreja. Por discordar de certos dogmas católicos, o imperador etíope passou a substituir a figura do papa, recebendo títulos de suma importância. Ao longo da história, os imperadores da Etiópia receberam nomes como Yeshua, I, II, III e IV, assim como Newaya Kristos, Yohannes (João) I, II, III e IV, entre outros. Além disso, o detentor do trono Etíope era presenteado com o manto escarlate bordado a ouro, o cetro, duas lanças de ouro e o anel de diamante com a figura do Leão de Judá (que afirmavam ser o anel legitimo de Salomão dado ao seu filho Etíope Menelik I), num ritual repleto de simbolismo e ministrado pelo arcebispo da igreja ortodoxa.
Quando em 1930, Ras (Líder, Cabeça) Tafari foi coroado imperador da Etiópia, passou a ser chamado pelo nome de Haile Selassié I, que em aramaico significa poder da trindade. Para os jamaicanos, a coroação Selassié I, sua ascendência bíblica e seus títulos divinos (Rei dos reis, Senhor dos senhores e leão conquistador da tribo de Judá), afirmavam a profecia de Marcus Garvey sobre a vinda do rei negro e assim como os seguidores de Cristo ficaram conhecidos como os cristãos, desde então os seguidores de Ras Tafari foram identificados como os rastafaris. Ras Tafari foi o 225º descendente de sua dinastia e na Jamaica vários pregadores se popularizaram por afirmar a fé em sua divindade. Assim, estabeleceram-se diversas vertentes nas montanhas jamaicanas, fazendo do movimento rastafari um grupo eclético, com muitos rituais e regras variadas, sendo, portanto, curiosamente um dos únicos fenômenos religiosos relativamente sem liderança. O papel de Marcus Garvey e Ras Tafari, assim como outros símbolos específicos gerou uma espécie de versatilidade religiosa para o rastafarianismo. Para muitos rastas, Haile Selassié I representa a única e definitiva vinda do messias, salvador da humanidade e se distanciaram do simbolismo de Jesus por sua imagem e propaganda européia, para outros, Ras Tafari é a volta de Jesus Cristo, enquanto diversas comunidades rastafaris surgiram com opiniões distintas e algumas delas seus líderes eram também venerados. A partir de então algumas segmentações começaram a ocorrer no movimento, embora diversos traços culturais em comum possam ser encontrados até os dias de hoje.
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