sábado, 31 de maio de 2008

Davis, Miles Davis


Miles Dewey Davis Jr (Alton, 26 de Maio de 1926 - Santa Monica, 28 de Setembro de 1991) foi um importante trompetista, compositor e bandleader de jazz norte-americano.

Relação Miles Davis - Jazz
Miles Davis efetivamente constitui, sozinho, um capítulo à parte dentro da história do Jazz. Pode-se dizer, sem medo de errar, que ele foi uma verdadeira força propulsora do estilo durante mais de quarenta anos. Seu som ao trompete, puro, macio e quase sem vibrato, emitido freqüentemente com o uso da surdina, e seu fraseado conciso e despojado tornaram-se marcas registradas. Sua personalidade difícil, às vezes contraditória, também. Fundador do cool jazz, do jazz modal, do jazz-rock e da fusão, Miles fez da renovação das linguagens o principal impulso gerador de sua música.
Trajetória
Sua carreira, inciada dentro do bebop, apresentou uma fase brilhante já em 1948-1950, com a formação da célebre Miles Davis-Capitol Orchestra, em que o genial arranjador Gil Evans começou a escrever verdadeiras obras-primas que davam todas as condições para a expressividade de Miles. A colaboração Miles-Evans continuou ao longo dos anos 50. Os arranjos de Evans não têm paralelo em nenhuma big band: trata-se de peças impressionistas, com estruturas elaboradas, texturas timbrísticas sofisticadas, revelando influências variadas que incluíam, por exemplo, a música espanhola.
Paralelamente ao trabalho com Gil Evans, Miles dava, a partir de 1949, os contornos ao nascente estilo cool, eminentemente apropriado à sua maneira intimista de tocar, gravando as sessões intituladas Birth of the cool.
De 1956 em diante, Miles lidera um quinteto/sexteto que, em suas várias formações, entraria para a história do jazz. Para se ter uma idéia dos talentos envolvidos, inicialmente o quinteto contava com o saxofonista John Coltrane, o pianista Red Garland, o contrabaixista Paul Chambers e o baterista Philly Joe Jones; esta formação gravou a série de discos intitulados Relaxin', Workin' , Steamin' , e Cookin' . Com a entrada do sax alto Cannonball Adderley, o conjunto se tranformou no sexteto que gravou Milestones. Em 1959, Red Garland foi substituído por Bill Evans e Wynton Kelly, que se revezavam ao piano, e Jones cedeu o lugar a Jimmy Cobb, no sexteto que gravou um dos discos mais cult do jazz de todos os tempos, Kind of Blue. Com esse grupo, Miles começou a explorar o jazz modal, usando combinações harmônicas mais livres do que a harmonia tonal tradicional e improvisando mais sobre os acordes do que sobre a melodia do tema. Em 1960-1961, houve pequenas mudanças, mas a base era mantida: ora Cannonball Adderley cedia o lugar a Sonny Stitt ou Hank Mobley, ora Jones voltava a assumir a bateria; o grupo também podia se reduzir a um quinteto, com apenas Coltrane como sax tenor.
Paralelamente ao trabalho com quinteto e sexteto, Miles retoma a colaboração com Gil Evans e grava (respectivamente, em 1958 e 1960) duas obras-primas absolutas com orquestra: Porgy and Bess e Sketches of Spain.
Em 1964, surgiu uma formação inteiramente nova do sexteto, com George Coleman ao sax tenor, Herbie Hancock ao piano, Ron Carter ao contrabaixo e o brilhante adolescente Tony Williams à bateria. (Hancock, Carter e Williams ocasionalmente foram substituídos, respectivamente, por Frank Butler, Richard Davis e Victor Feldman). Em 1965, a chegada do talentoso saxtenorista e compositor Wayne Shorter dá consistência ainda maior ao grupo. Ao lado de Shorter, Hancock, Carter e Williams, Miles grava discos como E.S.P., Miles Smiles, Sorcerer, Nefertiti e são recolhidos notáveis registros de shows ao vivo no Plugged Nickel Club de Chicago (hoje restaurados em sua totalidade, constituindo aquilo que Richard Cook e Brian Morton denominaram a "Pedra de Roseta" do jazz moderno).
No final dos anos 60, Miles se encaminha para mais uma renovação estética, começando a fazer experiências com a fusão entre jazz e rock. Nessa fase, fica novamente em evidência uma faceta de Miles que já havia se manifestado com o quinteto dos anos 50: o descobridor de talentos. Para formar seus conjuntos de jazz-rock, Miles convoca os tecladistas Herbie Hancock, Chick Corea e Joe Zawinul, os bateristas Tony Williams e Jack DeJohnette, os contrabaixistas Dave Holland e Ron Carter, o guitarrista John McLaughlin, o saxofonista Wayne Shorter, o [[orgãoorganista]] Larry Young, entre outros. O jazz-rock, do qual Miles estava se aproximando gradativamente com os discos In a Silent Way e Filles de Kilimanjaro, nasce efetivamente com o revolucionário (e ainda hoje moderno) álbum duplo de 1969, Bitches Brew.
Com Live/Evil, de 1970, e alguns outros discos até 1972, encerra-se uma fase na carreira de Miles e tem início outra, ainda mais controversa que a de Bitches Brew. Durante os anos 70 e 80, Miles continua realizando experiências com a integração de linguagens, renovando completamente seus conjuntos com músicos pouco conhecidos, afastando-se do jazz (mesmo do jazz-rock) e aproximando-se do funk até do hip-hop. Mas, como se trata de Miles, nem por isso tal fusão se torna trivial ou comercial. Embora as opiniões se dividam acerca das obras desse período, o som de Miles continua inconfundível e sua poderosa mente musical continua claramente no controle.
Em 28 de setembro de 1991 Miles falece deixando uma obra - vasta, multifacetada, evolutiva, desbravadora, ora hermética, ora lírica. Irá certamente fornecer material para análise e motivo de puro deslumbramento para muitas gerações.
Estilos
Miles Davis dialogou com diversos estilos de Jazz. No começo de sua carreira tocou ao lado de grande nomes da época entre eles Charlie Parker. Após gravações como sideman, buscou tornar-se mais independente para, assim, poder fazer suas descobertas no mundo musical. Fez uso de diversos tipos de conjuntos: trios, quartetos, quintetos, sextetos, etc. E lançou ao mundo do Jazz diversos artistas que hoje ocupam espaço destacado na ramo musical: John Scofield, Kenny Garrett, Jack DeJohnette, Chick Corea entre outros. Porém foi sua ousadia musical que lhe garantiu nome na história da música. Miles é conhecido por grande ecletismo musical: tocou música modal, Fusion, Bebop e Jazz tradicional.

Obras mais importantes
The Complete Birth of the Cool (1948-1950 - Capitol)
Walkin' (1954 - OJC)
Bag's Groove (1954 - OJC)
'Round About Midnight (1955 - Columbia)
Cookin' and Relaxin' (1956 - Ace/Prestige)
Miles Ahead (1957 - Columbia)
Milestones (álbum)Milestones (1958 - Columbia)
Porgy and Bess (1958 - Columbia)
Kind of Blue (1959 - Columbia)
Sketches of Spain (1959&1960 - Columbia)
Miles in Antibes (1963 - Columbia)
The Complete Concert (1964 - Columbia)
ESP (1965 - Columbia)
Miles Smiles (1966 - Columbia)
In a Silent Way (1969 - Columbia)
Bitches Brew (1969 - Columbia)
A Tribute do Jack Johnson (1970 - Columbia)
We Want Miles (1981 - Columbia)
Amandla (1989 - Warner)
Panthalassa (1998 - Columbia)

Parker, Charlie Parker


O saxofonista-alto Charlie Parker revolucionou as possibilidades harmônicas e a sintaxe rítmica de improvisação no jazz à extensão de um novo idioma inteiro, ou ao menos fez emergir um novo dialeto de jazz. O seu estilo continua engajando gerações sucessivas de instrumentistas. O bebop não era tanto uma quebra com o passado, mas sim uma evolução lógica. Parker continuou usando mudanças de acordes nas canções populares como a base para improvisação. Mas como ele estava equipado com excessos de virtuosismo conceitual e instrumental, os desafios do swing tradicional já não mais o absorviam. Assim, ele foi procurar novos desafios a resolver utilizando o mesmo material musical, incorporando um conteúdo harmônico mais sutil e extenso nas improvisações e acrescentando à velocidade um zig-zag rítmico mais complexo. Como a improvisação se tornou mais desafiante aos jovens músicos de talento, também se tornou mais desnorteante às platéias acostumadas com as bigbands. Por outro lado, as complexidades da música de Parker tiveram o efeito de trazer para o jazz uma cultura musical mais selecionada e exigente. A música prosperou sendo tocada para pequenas platéias, mas criando uma maior liberdade para os instrumentistas e seus maravilhosos solos. Charlie Parker nasceu em 20 de agosto de 1920, em Kansas City, Missouri, conhecendo a música enquanto aluno da high school. No início dos anos 30 ele fez bicos tocando pela cidade, afiando seu tom e técnica. Ele gravou pela primeira vez com a Jay McShann Orchestra entre 1940 e 1942. O seu progresso durante os próximos dois anos não ficou documentado, devido à proibição de fazer gravações imposta pela sindicato de músicos. Até que ele retomasse ras sessões de gravação em 1944-45, suas improvisações fabulosas nos tempos de breakneck ("Ko Ko", "Donna Lee", "Shaw Nuff") encantavam os jovens jazzistas e ameaçavam os veteranos, fixando um novo parâmetro e alimentava a principal controvérsia musical na história de jazz. Mas a batalha aprofundou-se para o campo cultural uma vez que a propensão de Parker pela droga pesada e vida difícil fizeram com que o bebop fosse definido como uma música de bandido e com um estilo de vida que muitos escolheram para seguir. As gravações definitivas da carreira de Parker foram feitas na Savoy entre 1945-48 ("Now's the Time", "Thriving Of A Riff", "Billie's Bounce"), e na Dial entre 1946-47 ("Ornithology", "A Night In Tunisia", "Lover Man", "Scrapple From The Apple").Elas venderam muito pouco, mas eram profundamente influentes para jovens músicos do pós-guerra como o Hot Seven de Armstrong e as primeiras bigbands foram para os músicos dos anos trinta. Até mesmo durante o período inovador de Parker ele continuou sendo uma figura de mistério para o público em geral. O terceiro capítulo do trabalho principal de Parker começou em 1948, quando Norman Granz começou a fazer gravações em contextos diferentes com o propósito de levar a sua música a uma audiência mais ampla. Até então, suas inovações principais tinham se esgotado e o seu repertório tinha estreitado a um número pequeno de músicas.Mas esse álbum com acompanhamento de cordas criou um novo filão para Parker: brilhantes solos foram executados nesse seu último trabalho inovador. Ele morreu em 1955 com a idade de 35 anos, devido a combinação causada pelas drogas e problemas médicos.

Wilson Simonal


Carioca, Simonal começou cantando calipsos e rocks em inglês. De baile em baile, foi descoberto pelo compositor Carlos Imperial, que o levou para o seu programa de TV, Os Brotos Comandam. Seu primeiro compacto foi o chá-chá-chá “Teresinha”, de Imperial. De boate em boate, foi parar no templo da bossa nova, o Beco das Garrafas, levado por Luiz Carlos Miéle e Ronaldo Bôscoli. Em 1963, Simonal lançou seu primeiro LP, que estourou a música “Balanço Zona Sul”, de Tito Madi. Depois de excursionar com o Bossa Três pelas Américas do Sul e Central, lançou o LP “A Nova Dimensão do Samba”, de bossa nova (destaque para "Nanã" e "Lobo Bobo"). Em 1966 e 1967, apresentou na TV Record o Show em Si Monal. A melhor fase de sua carreira chegaria em seguida, com uma série de sucessos dançantes como “País Tropical”, “Mamãe Passou Açúcar em Mim”, “Meu Limão, Meu Limoeiro” e “Sá Marina”, que deram origem a um estilo suingado conhecido como Pilantragem. Tal era a popularidade que Simonal chegou a reger um coro de 15 mil vozes no show de encerramento do IV Festival Internacional da Canção, no Maracanãzinho. Encontrou sua derrocada em 1972, quando foi acusado de ser o mandante de uma surra, dada por dois policiais, no contador de sua firma, que o teria roubado. Denunciado, Simonal foi condenado – e durante o inquérito, um agente do Dops ainda revelou que o cantor tinha sido informante do órgão. Com essa acusação de dedurismo em plena ditadura militar, Simonal passou para o completo ostracismo, só encerrado em 1994, quando foi lançada em CD a coletânea “A Bossa de Wilson Simonal”.
Nem vem que não tem
(Wilson Simonal)

Nem vem que não tem
Nem vem de garfo que hoje é dia de sopa
Esquenta o ferro, passa minha roupa
Eu nesse embalo vou botar pra quebrar
Sacudim, sacundá, sacundim, gundim, gundá!

Nem vem que não tem
Nem vem de escada que o incêndio é no porão
Tira o tamanco, tem sinteco no chão
Eu nesse embalo vou botar pra quebrar
Sacudim, sacundá, sacundim, gundim, gundá!

Nem vem, numa casa de caboclo, já disseram
Um é pouco, dois é bom, três é demais!
Nem vem, guarda seu lugar na fila
Todo homem que vacila, a mulher passa pra trás!

Nem vem que não tem
Pra virar cinza minha brasa demora!
Michô meu papo, mas já vamos'imbora!
Eu nesse embalo vou botar pra quebrar
Sacudim, sacundá, sacundim, gundim, gundá

Piaf, Edit Piaf


O rouxinou da frança, Boêmia, privações na infância, o vício da morfina e o hábito do álcool, formaram uma combinação perigosa que pôs um fim precoce à vida da cantora Edith Piaf, falecida aos 47 anos de idade. Adoecida, retirara-se de Paris, de um apartamento que ocupava há muitos anos, para ir morrer perto de Grasse, no dia 10 de outubro de 1963. Com ela a França perdeu a maior das suas cantoras, o passarinho. A cantora e compositora imortal, suas letras retrataram, em tom de drama ou de alegre sátira, boa parte da história social e amorosa dos parisienses do século vinte, levando sua voz peculiar, inconfundível, tornada universal, para todas as partes do mundo, como símbolo do renascimento francês depois da desastrosa experiência da sengunda Guerra Mundial.
Pois assim, igualmente, aconteceu de verdade com Edith Piaf, artista de rua como a cigana da ficção de Vitor Hugo. Baixinha, esmirrada, criada como chansonnette, menina cantora das vielas de Paris, onde nascera em 1915, fazia o que queria com o seu público. Não havia beco da cidade, boteco, taverna ou inferninho que ela não conhecesse como a palma da mão. Tal como Esmeralda, que terminou se comovendo com a infelicidade do pavoroso Quasímodo, Piaf enterneceu-se pelas infelizes, pelos vagabundos e bêbados, pelo desacerto dos amantes e suas paixões impossíveis, doídas e fracassadas, sem porém fazer disso uma tragédia.
Coube a um dos seus tantos amantes, um tal de Louis Leplée, dono da boate Mômes de la Cloche, refúgio de rufiões e de mendigos, tirá-la do trottoir e colocá-la para cantar quando ela alcançou os 20 anos de idade. Dele foi a idéia de chamá-la de Piaf (passarinho, pardal), adequada ao tamanho e a voz dela, ímpar , de fantástica ave canora. Não demorou para que a levassem a gravar um disco, com um par das suas primeiras canções, da mais de duzentas e quarenta que deixou. O sucesso foi imediato. Em pouco tempo a menina que viera do lado sórdido da cidade, do bas-fond de Paris, onde enfeitiçara as platéias, pôs-se a freqüentar os locais da moda ao lado de gente como Jean Cocteau, Maurice Chevalier, Charles Trenet e Tino Rossi. Edith Piaf estourou mesmo foi depois da segunda Guerra Mundial. A França e o mundo se encantaram com La vie en rose, composta em 1946. Após aquela matança toda, a canção de Piaf - a exaltação do amor da amante pelo seu homem e como aquela paixão a deixava ver o mundo rosa -, representou o hino universal dos que sobreviveram a guerra. Seu lema poderia ter sido, como recomenda a letra de Boulevard du Crime, “rir em meio à tormenta”. Que voltassem a se abraçar e a se amar porque afinal a vida era cor de rosa. Se Sartre e o existencialismo, com sua exaltação da liberdade, dominou o cenário intelectual do pós-guerra, foi Edith Piaf, e não Juliette Gréco, tida então como a musa da nova filosofia, quem mais de fato a exerceu.
Mulher livre, sem marido fixo, sem família ou filhos, colecionado amantes (em geral jovens bonitões como Ives Montand ou George Moustaki), no qual ela expressou a perda irreparável do seu amado Marcel Cerdan, um campeão de boxe franco-argelino que morrera num desastre aéreo em 1949. entregou-se para sempre à música. Tornou-se a grã-sacerdotisa da canção popular francesa do após-guerra, com direito à corte permanente e tudo o mais.
Rosto redondo, expressivo mas sem beleza, cabelos em desalinho, vestido longo escuro, pequerrucha, sob a luz do palco ela era indomável, irresistível, arrebatadora. Flutuava ao microfone, como um beija-flor frente a uma rosa.


Quando você me aperta/ contra seu peito/ eu me sinto em um mundo à parte/ um mundo onde rosas florescem/ enquanto você fala/ anjos cantam lá em cima/ as palavras de todos os dias/ parecem se transformar em canções de amor/ Dê-me seu coração e sua alma/ e a vida sempre será/ cor-de-rosa.


É necessário esquecer,/tudo pode ser esquecido,/O que ficou pra trás/Esquecer o tempo dos mau entendidos/O tempo perdido/Saber como/Esquecer as horas/que matavam às vezes/De dúvida e medo/A culpa, o porque/O centro da felicidade/Não me deixes mais, não me deixes/ mais, não me deixes mais/Vou te oferecer/Pérolas que vi/Chover num país/Onde não chove mais/Revolver a terra, muito além da morte/Dourar o teu corpo/Onde ele estiver/Onde eu viverei/O amor será rei, o amor será lei/E tu reinarás/Não me deixes mais, não me deixes/ mais, não me deixes mais/Não me deixes mais/Que eu inventarei/Palavras sem nexo E tu compreenderas/Pra falar de amantes/Que por muitas vezes/Sentiram seu próprio coração/queimar/Eu vou te contar/A história de um rei/Que morreu tão triste/Por nunca te encontrar/Não me deixes mais, não me deixes mais, não me deixes mais/Dizem que é comum/Renascer o fogo/De um velho vulcão/Que não arde mais/Também já se viu/Em terras destruídas renascer mais trigo/Que no melhor abril/E pra se inflamar/Uma tarde no ar, o vermelho e o negro/Não se casam jamais/Não me deixes mais, não me deixes mais, não me deixes mais/Não me deixes mais/Eu não vou chorar, não vou/ mais falar, vou ficar em paz/Quero só te ver/Dançar e sorrir/Quero te ouvir/Cantar e falar/Deixa-me existir à sombra/ da tua mão/À sombra da tua mão/À sombra do teu cão/Não me deixes mais, não me deixes/ mais, não me deixes ...


Não, absolutamente, nada/ não eu não lamento nada/ nem o bem que me fizeram/ nem o mal/ isso tudo me é indiferente/ esta pago/ varrido/ esquecido/ Foda-se o passado/com minhas lembranças/acendi o fogo/minhas magoas, meus prazeres/ não preciso mais deles/varridos os amores/com todos os seus temores/varridos dos para sempre/vou recomeçar do zero/ não absolutamente, nada/ não, eu não lamento nada/ nem o bem que me fizeram/ nem o mal/ isto tudo me é indiferente/ pois minha vida/ pois minhas alegrias/ hoje/ isto tudo começa com você.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Basquiat


Jean-Michel Basquiat (22 de dezembro 1960, Brooklyn, Nova Iorque, 1988, Nova Iorque) foi um artista americano. Ele ganhou popularidade primeiro como um grafiteiro na cidade onde nasceu e então como neo-expressionista. As pinturas de Basquiat ainda são influência para vários artistas e costumam atingir preços altos em leilões de arte. Basquiat tinha ascendência porto-riquenha por parte de mãe e haitiana por parte de pai. Desde cedo mostrou uma aptidão incomum para a arte e foi influenciado pela mãe, Matilde, a desenhar, pintar e a participar de atividades relacionadas ao mundo artístico. Em 1977, aos 17 anos, Basquiat e um amigo, Al Diaz, começaram a fazer grafite em prédios abandonados em Manhattan. A assinatura era sempre a mesma: "SAMO" ou "SAMO shit" ("same old shit", ou, traduzindo, "a mesma merda de sempre"). Isso gerou curiosidade nas pessoas, principalmente pelo conteúdo das mensagens grafitadas. Em dezembro de 1978, o veículo Village Voice publicou um artigo sobre as escrituras. O projeto "SAMO" acabou com o epitáfio "SAMO IS DEAD" (SAMO está morto) escrito nas paredes de construções do SoHo novaiorquino. Em 1978, Basquiat abandonou a escola e saiu de casa, apenas um antes de se formar. Mudou-se para a cidade e passou a viver com amigos, sobrevivendo através da venda de camisetas e postais na rua. Um ano depois, em 1979, contudo, Basquiat ganhou um status de celebridade dentro da cena de arte de East Village em Manhattan por suas aparições regulares em um programa televisivo. No fim da década de 1970, Basquiat formou uma banda chamada Gray, com o então desconhecido músico e ator Vincent Gallo. Com o conjunto, tocaram em clubes como Max's Kansas City, CBGB, Hurrahs e o Mudd Club. Basquiat e Gallo viriam a trabalhar em um filme chamado "Downtown 81" (também conhecido por "New York Beat Movie]]. A trilha sonora deste tinha algumas gravações raras da Gray. A carreira cinematográfica de Basquiat também incluiu uma aparição no vídeo "Rapture" da banda Blondie. Basquiat começou a ser mais amplamente reconhecido em junho de 1980 quando participou do The Times Square Show, uma exposição de vários artistas patrocinada por uma instituição de nome "Colab". Em 1981, o poeta, crítico de arte e "provocador cultural" Rene Ricard publicou um artigo em que comentava sobre o artista. Isso ajudou a catapultar de vez a carreira de Basquiat internacionalmente. Nos anos consecutivos, Basquiat continuou a exibir sua obra em Nova Iorque ao lado de artistas como Keith Haring e Barbara Kruger. Também realizou exposições internacionais com a ajuda de galeristas famosos. Já em 1982, Basquiat era visto freqüentemente na companhia de Julian Schnabel, David Salle e outros curadores, colecionadores e especialistas em arte que seriam conhecidos depois como os "neo-expressionistas". Ele começou a namorar, também, uma cantora desconhecida na época, Madonna. Neste mesmo ano, conheceu Andy Warhol, com quem colaborou ostensivamente e cultivou amizade. Dois anos depois, em 1984, muitos de seus amigos estavam preocupados com seu uso excessivo de drogas e seu comportamento paranóico. Basquiat, então, já estava viciado em heroína. No dia 10 de fevereiro de 1985, Basquiat foi capa da revista do The New York Times, em uma reportagem dedicada inteiramente a ele. Com o sucesso, foram realizadas diversas exposições internacionais em todas as maiores capitais européias. Basquiat morreu de um coquetel de drogas (uma combinação de cocaína e heroína conhecida popularmente como "speedball") em seu estúdio, em 1988. Após sua morte, um filme que levava seu nome foi lançado contando sua biografia, dirigido por Julian Schnabel e com o ator Jeffrey Wright no papel de Basquiat.

A Lendária Etiópia


As comunidades Jamaicanas (Garveytas), formadas na década de vinte, encaravam a África como a terra prometida, em especial à Etiópia, por tratar de um império africano milenar jamais colonizado e responsável pela preservação de uma cultura sem grandes influencias européias. A Etiópia possui cerca de cem dialetos e o aramaico como língua oficial, também reivindica uma ancestralidade Bíblica, pois afirmam que seus reis são descendentes da união da rainha etíope Makeda de Sabá com o rei Salomão de Jerusalém, filho do rei Davi, dessa união teria nascido Menelik I (também chamado de Davi, na Etiópia) e a partir de então surgiria a dinastia salomônica em terras Etiópes. Os textos bíblicos apresentão o rei Salomão como um dos descendentes de Jesus Cristo e o livro etíope Kebra Nagast o encontro do rei Salomão de Jerusalém com a rainha de Sabá e consequentemente a origem da árvore genealógica do maior império africano de todos os tempos, Etiópia, antiga Abissínia (também chamada de Axum e Cash) a única nação Africana citada em todas as versões da bíblia. O Kebra Nagast é considerado um texto sagrado tanto para os cristãos ortodoxos da Etiópia quanto para os rastafaris jamaicanos. Segundo conta sua história, a rainha Makeda (também chamada Balkis ou Belkis) de Sabá (sul), rainha da Etiópia, sabendo da existência de um sábio rei de Jerusalém, profundo conhecedor das leis divinas, resolveu visitá-lo para conhecer seu reinado e suas convicções religiosas. A rainha foi recepcionada no palácio de Salomão, que a introduziu na crença de um Deus único e nos princípios da fé judaica. O rei de Jerusalém gostaria de passar à noite com a rainha virgem e ter com ela uma relação sexual, mas esta recusou o convite, porém Salomão propôs um acordo onde ela não poderia usar nenhuma riqueza sua. Acreditando ser muito rica e poderosa, a rainha de Sabá não tinha duvidas de que não precisaria das riquezas materiais do rei, porém antes de dormir, Salomão ordenou para que seus empregados colocassem bastante sal no jantar da rainha, colocando também um jarro d´agua na cabeceira de sua cama. Na madrugada, Makeda sentiu sede e bebeu a água, o rei levantou-se e afirmou que ela havia consumido um grande tesouro de seu reino e perguntou se a rainha de Sabá conhecia maior riqueza que a água. Ambos se apaixonaram e deste encontro à rainha voltou grávida para Etiópia, deixou animais raros e obras de arte que com muito custo havia carregado com sua caravana ao longo da árdua travessia ao oriente e retornou à África com um presente histórico: O anel que trazia a marca do leão, símbolo da tribo de Judá, também da família de Salomão. Seu filho Ebna cresceu sem saber sobre a identidade de seu pai e ao torna-se adulto conheceu a verdade através da rainha. Ebna foi coroado e nomeado Menelik I e viajou para Jerusalém a fim de encontrar com seu pai. No primeiro momento Salomão duvidou da veracidade de sua paternidade, mas com o passar do tempo sentiu afinidade com o rapaz e ao ver o antigo anel no dedo de Menelik reconheceu a sua descendência. A partir de então o rei conviveu com Menelik I e entregou grandes segredos de Jerusalém ao Jovem Etíope. Salomão passava por dificuldades em sua terra natal e confiou-lhe a arca da aliança, contendo os dez mandamentos originais de Moisés; Menelik I por ordem de seu pai levou as ?Tábuas de Moisés? para a Etiópia e fez essa viagem acompanhada por doze mil israelenses judeus. Segundo a Igreja Ortodoxa Copta Etíope, a arca mantém-se lá ainda nos dias de hoje e é vigiada e contemplada, por um único sacerdote, que dedica toda sua vida para guardá-la, sendo substituído ao longo das gerações.
Dessa forma nasceu a dinastia de Salomão na Etiópia, através de uma grande linhagem de reis com laços sanguíneos que veio a suceder-se e atualmente, no dia da comemoração do arcanjo Miguel, os cristãos etíopes desfilam pelas ruas do país com réplicas da Arca da Aliança, também chamada Arca da Convenção. A dinastia que nasceu com Menelik I, filho do rei Salomão com a rainha de Sabá, introduziu a tradição judaica na Etiópia e desde então o Leão de Judá tornou-se o símbolo da família real. Dessa família uma sucessão de reis se desenrolou, recebendo títulos bíblicos como Salomão, Jacó, Davi, entre outros e no quarto século da era cristã a família real se converteu ao cristianismo ortodoxo, por influência dos egípcios, fundando a Igreja Ortodoxa Copta da Etiópia, no mesmo século em que surgia a Igreja Católica Apostólica Romana, com algumas diferenças doutrinárias. Os Etíopes afirmam que a Arca da Aliança, contendo os dez mandamentos originais de Moisés permanece na África por solicitação do próprio Salomão, já a Igreja católica romana afirma que os dez mandamentos se perderam ao longo da história e não reconhece nenhuma outra versão. Além disso, segundo os ortodoxos egípcios, etíopes, assim os armênios, a pessoa de Jesus Cristo, embora tenha sido um homem encarnado, apresentava uma única natureza estritamente divina e apenas em 1054 no concílio da Calcedônia declararam a sua crença monofisista (uma única natureza física de Jesus) e se distanciaram da crença romana que supõe duas naturezas, a humana e a divina, convivendo simultaneamente na personalidade de Cristo. Durante séculos, os reis e rainhas da Etiópia mantiveram a tradição unicamente judaica, até a conversão de Frumêncio ao cristianismo. Este havia sido um escravo da corte de Axum (Etiópia) e por sua vocação ao estudo, havia conquistado a confiança do rei, tornando-se ele mesmo o secretário particular do monarca e responsável pela educação de seus filhos.
No século IV, mesmo século em que surgia a instituição católica apostólica romana, os egípcios (também chamados de coptas) cristãos realizavam suas práticas religiosas (jejum e oração) no deserto do Egito e eram considerados padres do deserto, entre eles estavam Antão e Atanásio (mais tardes considerados santos). Frumêncio após ganhar a liberdade, visitou o Egito e tornou-se um dos mais dedicados discípulos de Atanásio, recebeu dos cristãos coptas o titulo de Aba (pai) Salama (portador da luz) e voltou para Axum como o primeiro bispo da Etiópia, também chamado de ?inicio da luz?. Canonizado e conhecido hoje como São Frumêncio, fundou, por incentivo de Atanásio, a Igreja Ortodoxa Copta da Etiópia que passou a fazer parte do bloco das igrejas orientais. A partir de então os reis etíopes da dinastia de Salomão passaram a se identificar como reis cristãos ortodoxos e São Jorge foi escolhido o padroeiro da Nação. Outros episódios marcaram a entrada do cristianismo na história da lendária Abissínia, mesmo antes do surgimento da Igreja Ortodoxa. Dizem que o apostolo Mateus foi viver na Etiópia após a morte de Jesus, a fim de evangelizar os africanos e ao chegar lá atraiu um grupo formado em sua maioria por mulheres, liderada pela princesa Ifigênia. O rei da Etiópia, indignado com a postura da filha que havia negado o convite de casamento de um poderoso príncipe africano, solicitou a ajuda de Mateus, por considerar sua forte influência sobre a princesa. O apóstolo então respondeu que sua ajuda consistiria em respeitar a vontade de Ifigênia (que não queria se casar) e por este motivo o rei ordenou que Mateus fosse assassinado. A princesa escondeu-se com suas companheiras por durante muitos anos, dedicou sua vida ao cristianismo e aos ensinamentos de Mateus, fundou o primeiro convento da Etiópia, ainda nos primeiros anos da era cristã e é atualmente conhecida em todo mundo, até mesmo entre os católicos romanos, como a Santa Ifigênia, a primeira santa negra da história. Também acreditasse na Etiópia que o Apóstolo Felipe, anos após a morte de Jesus, recebeu um chamado divino e caminhou para Jerusalém na direção sul, encontrando com um eunuco etíope, tesoureiro e ministro da rainha Candace da Etiópia, que chegava a Jerusalém a fim de estudar as escrituras bíblicas. O eunuco lia um trecho do livro de Isaias do antigo testamento (que falava da vinda do messias) e não compreendia a passagem da bíblia. Felipe contou-lhe a vida de Jesus, dizendo tratar-se da confirmação das palavras proféticas de Isaias. Enquanto percorriam um longo caminho se depararam com um rio, onde o etíope pediu para ser batizado, Felipe então realizou o seu pedido e assim o eunuco, até então judeu, levou sua nova crença para a Etiópia, convertendo a rainha Candace. Com o surgimento da Igreja Ortodoxa na Etiópia, os reis começaram a responder pelo estado, pelas forças armadas, sendo também líderes da Igreja. Por discordar de certos dogmas católicos, o imperador etíope passou a substituir a figura do papa, recebendo títulos de suma importância. Ao longo da história, os imperadores da Etiópia receberam nomes como Yeshua, I, II, III e IV, assim como Newaya Kristos, Yohannes (João) I, II, III e IV, entre outros. Além disso, o detentor do trono Etíope era presenteado com o manto escarlate bordado a ouro, o cetro, duas lanças de ouro e o anel de diamante com a figura do Leão de Judá (que afirmavam ser o anel legitimo de Salomão dado ao seu filho Etíope Menelik I), num ritual repleto de simbolismo e ministrado pelo arcebispo da igreja ortodoxa.
Quando em 1930, Ras (Líder, Cabeça) Tafari foi coroado imperador da Etiópia, passou a ser chamado pelo nome de Haile Selassié I, que em aramaico significa poder da trindade. Para os jamaicanos, a coroação Selassié I, sua ascendência bíblica e seus títulos divinos (Rei dos reis, Senhor dos senhores e leão conquistador da tribo de Judá), afirmavam a profecia de Marcus Garvey sobre a vinda do rei negro e assim como os seguidores de Cristo ficaram conhecidos como os cristãos, desde então os seguidores de Ras Tafari foram identificados como os rastafaris. Ras Tafari foi o 225º descendente de sua dinastia e na Jamaica vários pregadores se popularizaram por afirmar a fé em sua divindade. Assim, estabeleceram-se diversas vertentes nas montanhas jamaicanas, fazendo do movimento rastafari um grupo eclético, com muitos rituais e regras variadas, sendo, portanto, curiosamente um dos únicos fenômenos religiosos relativamente sem liderança. O papel de Marcus Garvey e Ras Tafari, assim como outros símbolos específicos gerou uma espécie de versatilidade religiosa para o rastafarianismo. Para muitos rastas, Haile Selassié I representa a única e definitiva vinda do messias, salvador da humanidade e se distanciaram do simbolismo de Jesus por sua imagem e propaganda européia, para outros, Ras Tafari é a volta de Jesus Cristo, enquanto diversas comunidades rastafaris surgiram com opiniões distintas e algumas delas seus líderes eram também venerados. A partir de então algumas segmentações começaram a ocorrer no movimento, embora diversos traços culturais em comum possam ser encontrados até os dias de hoje.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Quilombo Urbano


Em relação ao documentário de um estudante de comunicação da Unisinos, “Brasil Eterno Quilombo” também farei o meu documentário por escrito: Quilombo Urbano inspirado na “Chácara das Rosas”. Primeiro. Acho que nem precisaria ser feito, o país inteiro sabe, melhor, é mal informado ou não se interessa pelos excluídos... Preconceito no trabalho todo mundo sofre ou quase todo mundo já passou ou passa por piadinhas, há chefes de trabalho te deixando de lado por ser diferente, alguém te tirando uma onda. Mas existe lei contra o racismo e Racismo é crime. Segundo. Sobre a religião: Houve uma época em que a religião africanista ou umbandista agregava os afro-descendentes e os “protegia do mal do homem”. Parece que se criou um estereotipo a respeito do homem negro, e que, todo homem negro tem que ser batuqueiro. Homem Natural, como sempre fui, trilho o caminho da tolerância e respeito todas as crenças. Terceiro. O cenário poderia ser a Chácara das Rosas ou o nome pejorativo de um seriado dos anos 80, “Planet of the Apes”, na frente do Parque Municipal Getulio Vargas, vulgo “Capão do Corvo”. Entrei no quilombo urbano para conhecer. Como vim de uma outra realidade, não sabia o que meus olhos presenciariam na rua Dna Rafaela e a Duque de Caxias. Ali as flores são negras. Muitos nem chegaram a completar seus estudos, pedreiros e empregadas domésticas. E que, no passado às mulheres foram amas de leite dos brancos bebês. Quatro gerações residem naquele local e a última geração “já” começou a entrar na fase da miscigenação de dentro para fora ou de fora para dentro do quilombo. Alguns registros datam desde 1895 ou anteriores. Alguns registros da história canoense narram que os escravos chegaram à cidade através de um tropeiro oriundo de Laguna, Santa Catarina, e com ele cerca de oito e outros em torno de quarenta negros. Mas há indícios de que já havia negros livres residindo em Canoas nas proximidades da antiga estação de trem. O terreno da região do quilombo compõe, parte do território da antiga “fazenda da Brigadeira”, apelido da Dona Rafaela Pinto Bandeira, e foram ficando naquela área. Uma área outrora de difícil aceso cheia de eucaliptos e maricas espinhosos. Hoje, é uma área nobre e cheia de edifícios crescendo ao redor. Quarto. Cotas para negros. São de vital importância às cotas para negros na universidade. Não seria o ideal, mas já é alguma coisa. O ideal seria que cada estudante sustentasse os seus estudos. Foram 300 anos de escravidão neste país e apenas 118 da abolição. A história deve aos negros deste país uma parcela de sua contribuição que ainda é muito pouco. Sem Zumbi (1) de Palmares nenhum negro seria o que é, em nenhuma parte do pais. Os negros foram os negros foram os pilares da nação brasileira que com seu sangue, suor e seu balanço na pirâmide social contribuíram nas artes e no cotidiano. Isto é de Família: Paulo Joaquim da Silva (Paulão) Marceneiro e escultor, Wanderlei Joaquim da Silva (Dicão) Desenhista e João Salatife da Silva (Tião), músico, cantor das noites Canoenses. João Máximo diretor de teatro, e que, participou do filme, “Neto Perde a Alma”, e a peça de teatro “Fantasmas Urbanos”, nos anos 80. César Augusto, músico ex-Da Guedes e apresentador do programa “Urbanos” Ulbra TV. Vera Maria Nascimento Bacharel em direito, Claudia Elis Costa do Nascimento artista plástica, Alexandre Nascimento, músico de “Blues”. Antonio Alves da Rosa, Economista, funcionário Publico e Vereador, idealizador do 20 de Novembro como o dia da Consciência negra em Canoas, em 1989, ainda no governo do ex-prefeito de Canoas Hugo Simões Lagranha. Sinceramente, “Brasil Eterno Quilombo” não é um documentário é o mundo real, é uma coisa que esta aí, na nossa cara e ninguém enxerga. Demorou: Comparo o Quilombo Urbano no sentido de regularização territorial à vila Santo Operário, a primeira ocupação pacifica em Canoas. É o único reduto de negros descendentes de escravos ou quilombo urbano foi reconhecido pela Fundação Palmares, ligada ao governo federal.

(1) Zumbi
“Chico zum, chico zum, oiá zumbi

muda o tempo, muda o tempo,

oiá o tempo mudou”.


Zumbi, era sobrinho de Ganga Zumba o rei do quilombo.

Quilombo de Palmares era um lugar de escravos,

índios e brancos fugitivos da perseguição de Portugal,

entre Alagoas e Pernambuco.


São Francisco de Assis, o protetor,

o coroinha da igreja transformou a cruz numa espada e

seguiu seu destino, o destino do orixá.

Zumbi o guerreiro de Palmares, o Aquiles negro do quilombo,

na Serra da Barriga, movia-se como superstição na cidade Negra.

Zumbi não faz acordo com os poderosos

nem com o governador de Pernambuco,

ergue sua lança, rebela seu grito de liberdade contra a opressão.

Zumbi esta para soldado búfalo,

assim como o lanceiro negro esta para zumbi.


Penso, logo insisto.

Assim nasceu a consciência do orixá:

“Pode ter açúcar sem oprimidos,

pode ter Brasil sem açúcar e Portugal que se vire”.

São Gabriel



Meus agradecimentos à família Melo, os progenitores de minha musa, durante os dias em que estive na cidade de São Gabriel, localizada na fronteira-oeste do Rio Grande do Sul. A cidade é marcada por fatos históricos como à morte de Sepé Tiaraju. O índio lutou bravamente contra portugueses e espanhóis. Numa destas batalhas feriu o tropeiro Pinto Bandeira e gritou: “Esta terra tem dono”. Tombando tragicamente nas proximidades da Sanga da Bica e os sete povos das missões lamentam a sua partida. (1)Como um Quixote, o gaudério da triste figura, o naturalista, o espanhol Dom Félix de Azara durante cinco anos, fez o que pode tentando juntar várias etnias para construir um vilarejo, desde o Rio da Prata como num sonho e assim o fez, sem êxito. Mas em 1800, ele os juntou as páginas do “Livro Padrão Geral dos Povos da Vila do Batovi” e fundou à cidade de São Gabriel. Mais tarde em 1815, foi elevada a categoria de Capela Curada, tendo em sua sede um sacerdote permanente. A Igreja do Galo pertence ao período em que a cidade foi Capital da Republica Riograndense. O município historicamente é ligado às armas, Terra dos Marechais, como é chamada, já que ali nasceram os Marechais João Propício Menna Barreto, Fábio Patrício de Azambuja, o Presidente da República Hermes da Fonseca e Mascarenhas de Moraes, o comandante da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial, durante as batalhas na Itália. Outros militares gabrielenses fizeram parte da história nacional, como o Coronel José Plácido de Castro, o desbravador e conquistador do Acre, apreciado pelos telespectadores na minisérie Amazônia, de Glória Peres. A vocação militar conviveu pacificamente com a poesia e outras artes, projetando para o Brasil o gabrielense Alcides Maia, o primeiro Gaúcho admitido na Academia Brasileira de Letras, seus textos de notoriedade são: “Alma Bárbara, Ruínas Vivas e a Tapera”. Assim como Maria Isabel Hornos, a Guapa, a santa predileta do povo, amada pelas crianças e ainda tocava gaita de foles, sendo assassinada no carnaval. (2)A história política do Município conta com personagens como o Castilhista Fernando Abbott, Presidente do Estado e o Embaixador Francisco de Assis Brasil e o Padre Leonel França, teólogo fundador da Puc do Rio de Janeiro. São Gabriel é considerado o último reduto dos Carreteiros, o mais antigo meio de locomoção inventado pelo homem. Atualmente, conta com o boliche dançante, um chimarródromo no calçadão da cidade, onde os gauderios e as prendas encontram-se para uma prosa campeira regada ao tradicional mate amargo para aquecer-se do frio.




(1) Sepé, o Índio
Sepé Tiaraju, o índio, o rubi da lua,


nasceu na redução de São Luiz Gonzaga,


o curumim, educado pelos padres jesuítas.


“O facho de luz, filho de Jacó e Raquel”.


O guerreiro de pele vermelha,


Levado para São Miguel Arcanjo


Yawara, Yawara, Yawara




O general guarani


O corregedor da nação indígena,


o homem natural gritou:


“Esta terra tem dono e nos foi dada por Deus e São Miguel”.


Defendeu os sete povos das missões,


lutou contra os portugueses,


espanhóis, cara pálida e os casacos azuis.


Índio apache, o kuarupe do pampa.


Yawara, Yawara, Yawara




Jussara cadê Sepé,


Esta com a lança em pé de guerra...


O pele vermelha, “Megêgum”,


misto de leão e raposa


atacava como fantasma,


samurai das missões,


conhecia o pampa como ninguém,


enfrentou o frio, o nosso inimigo invisível.


Bebeu água da fonte, comeu o fruto da terra.


Muito amado pela namorada


que tinha sonhos de paz...


Yawara, Yawara, Yawara




(2) Guapa
Guapa da terra dos Marechais


Guapa, a branca, a charmuta,


a mulher do povo, a Santa


ela veio do Uruguai f


oi morar em São Gabriel


tocava gaita de foles,


vez por outra fazia trova: "


O frio do pampa é uma milonga"


revidava galanteios de quem não merece




Guapa dos marechais, Guapa, a dama do lotação...


Guapa, a dama do cine Xangai...


Guapa, a dama de vermelho...


vestia à moda campeira Guapa 0666


"decifra-me, ou dispare".


Guapa pampiana


O doce das velhinhas,


o caramelo das crianças


defensora dos fracos e oprimidos




"A voz do povo é a voz de Deus


o lamento do povo é grito da justiça


o louvor do povo é o canto da procissão".

Os Açorianos


O instituto Cultural Português, em Porto Alegre, encerrou setembro com a 1ª Primavera dos Museus”. O instituto cultural foi fundado em 10 abril de 1979, ligado ao museu açoriano. O Museu Açoriano Sul-Riograndense foi fundado em 12 de novembro de 2002, na comemoração dos 250 anos do povoamento açoriano do Rio Grande do Sul. O museu conta com uma biblioteca, com exposições temporárias de artes plásticas, fotografia e artesanato. O museu contempla a região autônoma dos Açores, que pertence a Portugal. Enquanto no Sul do Brasil o Império Português se defrontava com o problema de possuir muita terra para pouca gente, nas ilhas dos Açores a situação era inversa: havia muita gente para pouca terra. Assim, a decisão da coroa portuguesa de promover a imigração de açorianos para a região de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, em meados do século XVII, representou a solução de dois problemas, aliviando a pressão populacional nas ilhas e garantindo ao sul um povoamento mais denso do que o do sistema de sesmarias. A imigração de casais açorianos foi feita a partir de 1748. Calcula-se que, entre 1748 e 1756, entraram no Rio Grande aproximadamente 2.300 açorianos - o que representava dois terços da população gaúcha. A idéia inicial era utilizá-los para ocupar a região das Missões, que pelo Tratado de Madrid (1750) passaria para Portugal, em troca da Colônia de Sacramento. Os açorianos ficaram instalados nas margens do rio Jacuí. É nessa época que foram criadas as vilas de Santo Amaro, Triunfo, Taquari e, finalmente, a própria Rio Pardo. Além dos açorianos - que já se encontravam na região - foram concentrados na área os "retirantes" vindos das regiões mais ao sul, como de Rio Grande. O artista plástico Canoense Darci Morais expõe no instituto Cultural Português, 06 telas em óleo sobre tela e 18 de suas obras então em Portugal. Darci ressalta: “A arte brota em mim” Na exposição, lá estavam: Dr. Antonio Soares fundador e diretor geral da entidade, Dna. Santa Inéze da Rocha, coordenadora, Margarida Nunes fotografa, colunista e coordenadora do departamento de artes, Maria Rigo presidente da casa do poeta de Canoas. Eloísa Porazza, Vice Presidente da casa do poeta riograndense. Villas Boas presidente do Partenon Literário, Alzira Dornelles Bãn Vice Presidente da Associação Menino Deus. Rafael Bãn Jacobsen professor, contista e mestre em Física Nuclear e agraciou-nos com a palestra sobre “Aquecimento Global”.

Cachoeira do Sul - A Terra do Arroz


Pintura de Itamara Fortes Avena: Artista Plástica de Cachoeira do Sul 1998, 16 de Novembro. Como garimpeiro, durante três dias em que estive na Cidade de Cachoeira do Sul, na busca de material para uma pesquisa. O que me trouxe? Minha avó foi escrava nesta cidade, no século passado, sem lenço nem correntes agradeço algumas pessoas que me auxiliaram neste garimpo: Professora Lair Vidal ativista do movimento negro, João Alves Mor com sua emoção ao lembrar do nego “peão”, Maria Nilda Flores dos Santos que encantou com sua intuição, João Ramos Magalhães de 80 anos, Geraldo Silva e esposa com a qual dei muitas risadas, Carlos Gaspar e Januário Lima do PT que me conduziram pela cidade, Manoel Setembrino da Silveira cuja tia avó foi Dna. “Eva dos Bordados”. Artista Plástica Itamara Fortes Avena, Aldo Kiling pela sabedoria. Rodo pela cidade. Subo e desço ladeira. Estou dentro e fora dos campos de arroz. Um trem. Um zoológico. As águas dançam nas cores da cachoeira, lá no sul. Uma constelação de praças em círculos como um paraíso. O homem livre comprou o jornal e chorou antes de ler, depois acendeu um cigarro. E olhou para terra do arroz e a terra do arroz olhou para ele. Dos depoimentos: A memória viva da cidade. - Minha avó foi capturada na áfrica. Evinha tinha 1, 90 de altura, veio para no Rio de Janeiro, nas minas de carvão aqui no Rio grande e depois em Cachoeira. Naquela época, filho de nego era “crias”. Lavando roupa no rio acabou salvando o filho de um sinhozinho. A cria ficava amarrado ao pé de uma árvore para não chorar e incomodar o sinhozinho. O feitor deu um pontapé na coluna da minha avó, “Eva dos bordados”, ficando paralítica. A Evinha, soube acabou agredindo o capataz a pauladas. Condenada à morte e (+ ou -) trinta chicotadas, na praça da matriz. O negro tinha preço no mercado escravo. Valor da mão-de-obra era assim: Cria = criança, - ½ peça. Jovem ou adulto 01 peça. Velho ½ peça”. Retratos na parede, casarão em estilo colonial. Um vazio na janela. Amizades que nunca vão partir... No silêncio da sala, vou juntando os pedaços da minha história de velhos papos no galpão e aventuras pela fazenda. Uma lágrima escorre pelo rosto. – Convivi com os homens lá no galpão, na fazenda do meu pai. Em casa todos eram mais velhos. Lembro do nego peão. Que depois de anos sumiu. Um dia bateu a minha porta, uma mulata que ia trabalhar na minha cozinha. Depois, fiz algumas perguntas. Quando virou-se para mim, vi nela o nego peão, meu amigo. - Cegaste a conhecer o nego peão? – Sim, era meu pai, que já morreu. Parecia uma coisa “divina”, vir trabalhar na minha casa, a filha do meu amigo. (Lágrimas). Um casal de preto velho sentou-se na sala, as paredes pintadas de branco. Ela serviu chimarrão para ele e ele lhe deu uma flor. Sinal que o amor nunca vai acabar. – Me criei no passo da Taquara. Um ou outro negro se rebelava e poucos chegavam a ser capataz. A relação entre negro e o patrão era de “distância”. Na época dos escravos “a palavra do escravo sem dinheiro era o “fio do bigode”. O dono fazenda mandava o negro enterrar o dinheiro e ali dizia que o lugar era mal assombrado. (risadas). No baile dos negros, em caso de abuso das negrinhas e houvesse briga “se cortava a orelha, mas não matava”. (risadas) Reza lenda da Escrava Santa Josefa: Nasceu no tempo da escravidão, era negra e seu senhor tanto a espancava, martirizava e surrava que a dor a santificou. Humilde sofredora, quando o açoite do patrão rasgava-lhe a carne, punha os olhos num cantinho do céu, onde então, via Nossa Senhora. Possesso o senhor inventa novos suplícios e, num dia de sexta-feira Santa, manda a negra fazer sabão, o que ela obedece paciente, mas assim que o tacho começou a ferver, o malvado atirou a escrava lá dentro e ela morreu logo; sendo enterrada ainda tinha um sorriso nos lábios. Coragem dos que padecem. Muitos anos depois, em dia que um cachorro fuçando a terra, descobre um braço, resolvem exumar o cadáver da negrinha. Estava intacta com o mesmo sorriso, tão bonita e circundando-lhe a cabeça um estranho esplendor de luz celeste. Era a luz da lágrima Bendita que deixara cair Nossa Senhora na escura fronte da negrinha mártir. O povo ao vê-la assim, caiu de joelhos. Desde então quem precisa de alguma graça recorre à negrinha escrava, para interceder junto a virgem Maria.

As Vaginas da Minha Cidade







Depois de ter assistido “Os Monólogos da Vagina” de Eve Ensler, me dei conta que não sabia tanta coisa sobre aquele maravilhoso órgão feminino, por onde eu vim ao mundo e gosto de apreciar, respeitar como qualquer outro homem normal: Do ponto de vista moral e ético em sã consciência. Porém, há tantos outros que não gostam e outros que agridem a natureza feminina que até me choca e me faz refletir sobre a situação de mulheres agredidas e violentadas por criaturas que nem deveriam ter nascido. O monólogo que mais me chamou a atenção foi a “Minha Vagina era minha aldeia”, sobre mulheres violentadas. Seis jovens de seus 20 e poucos anos recuperadas, Bósnia e Kosovo, mais de 700 mil mulheres no mundo. (...) E muitos desses fatos nem sempre chegam a serem notificados, muitas vezes pelo medo e a represália dos malfeitores, as famílias vivem sob a lei do silêncio. (...) Em 2003, foram registrados 14.800 estupros no Brasil? Estima-se que afetem 12 milhões de pessoas em todo o mundo. Apenas nos EUA, calcula-se que cerca de 680 mil mulheres são estupradas e que 200 mil crianças são sexualmente abusadas, a cada ano. Recentemente no estado do Pára, uma jovem com problemas mentais foi levada presa e colocada numa cela com vinte apenados. Onde estavam os agentes penitenciários? Onde estavam os policiais? O que será daquela jovem no meio daqueles predadores? Quem será apontado como responsável? Também dedicarei um monólogo às mulheres vitimas da violência urbana: As Vaginas da Minha Cidade: Sete bons homens de fino saber criaram a vagina, segundo a tradição profana ou segundo a imaginação. Um oleiro modelou o barro olhando as maçãs que caiam das árvores do pomar, próximo do rio azul. Chegando à frente desta criação, veio um açougueiro que não gostou do feito e com uma faca afiada deu-lhe um talho certeiro. Um bom marceneiro, com dedicação fez um furo no centro com martelo e formão. Em terceiro o alfaiate, capaz e moderno forrou com veludo o lado interno do canal e em quarto um bom jardineiro, chegando na hora forrou com um gramado, a parte externa como as asas de uma borboleta que ele alvejava no jardim. Em quinto, chegou um sagaz pescador esfregando um peixe, deu-lhe odor e disse faltar um limãozinho para ter um gostinho delicioso. Em sexto, o bom padre da igreja benzeu-a dizendo: "Têm hora para fazer xixi e para o sexo". Por fim um pirata, caolho e perneta chupou-a, comeu-a, e chamou-a de vagina. E, dizer que ela nasceu da costela do primeiro homem que dormia no paraíso solitário.

Love Inte Racial


Recomendo a vocês o filme “A Massai Branca”. Conta uma história de amor de uma jovem branca de férias no Quênia, por um jovem guerreiro Samburu, da tribo Massai, na África. O romance é baseado em um livro autobiográfico de Corinne Hofmann. Quando faltam poucos dias para retornar a Europa, Carola Lehmann (Nina Hoss) conhece Samburu (Jack Ido), um jovem que usa armas e roupas tradicionais. Fascinada, ela logo se apaixona. Carola decide cancelar o vôo de volta e mandar seu namorado de volta sozinho. Enquanto ela decide percorrer o país do Quênia tentando reencontrar seu amor. Os Massai são velhos guerreiros, que deixaram de ter contra quem combater, ou só esporadicamente se envolvem em pequenas rixas com outras tribos. No entanto, sempre viveram em torno da produção de gado bovino e hoje, mais que nunca, a sua dedicação é total. Vivem em torno das manadas que protegem dos predadores naturais da região, nomeadamente dos leões, a que frequentemente têm de fazer frente para proteger os animais da sua manada. O leite é um dos alimentos fundamentais dos Massai, faz parte da sua dieta alimentar, quase em exclusivo. A carne é guardada para as ocasiões muito especiais. Esta história de amor inter-racial é uma reflexão no meio de uma região semiárida da África, onde a união de dois mundos evolui como uma flor com espinhos, pela falta de condições econômicas, de saúde, de moradia, higiene e as tradições culturais de uma tribo, que estão enraizadas. Na verdade, esta mesma história poderia acontecer em qualquer outro lugar do mundo, quando o amor bate o coração, não existe quem os separe ou “que o Supremo uniu não desgruda”.

MISCIGENAÇÂO

Quem nasce no Brasil é Brasileiro. Seja preto, branco ou amarelo e todos ou quase todos caem no samba-rock... É um carnaval no país do futebol. E toda diferença trás riqueza e o sangue que corre nas veias é o vermelho do povo de toda cor. Quem é que não mistura arroz com feijão ou sempre foi arroz com macarrão? O que mais tem é boi ralado na área. Zagueiro também come peixe, polenta e aipim fazem parte da nossa raiz. Chucrute e feijoada já deram forrobodó. Agora, já tem shusi no samba. É regando a horta de casa que a gente colhe salsa, cebolinha e manjericão. O Brasil é uma salada de fruta... Têm os anônimos que se revelam à luz de vela ou no escurinho do cinema com pipoca e amendoim. Muita gente gosta de mocotó, rabada, galinha caipira e uma costeleta. Sem contar os entendidos do clássico que adoram arroz à grega... Têm gente fina que faz Bossa, bebe caçacha e jura que só toma água mineral. Os famintos do nosso país chegam a brigar por uma sopa de pedra e são felizes. Todo mundo quer comer, beber e amar. “Oh, Deus nos salve da segregação, essa coisa hipócrita não faz parte desta nação”.

Mônica Veloso


Brasília foi transformada num território capitalista exagerado. Um território paralelo a Renan, mas tudo em “off”, ou quase tudo. Estou em of com Brito. Um vácuo financeiro dominado por gigantescas empresas brasileiras e não brasileiras e não-brasileiras. Brasília está repleta de faixas, manifestações, Ongs passando gigantescas palavras de ordem: “Brasil mostra a tua cara”. No meio da vertigem apocalíptica, os habitantes da capital do mensalão costumam concentrar seu olhar nas televisões do Brasil onde fofocam ininterruptas imagens do romance tupiniquim que abalou o senado: Renan Calheiros e Mônica Veloso. Mônica Veloso, a mais bela semelhança de Iracema, a índia dos longos cabelos negros como a asa da graúna e dos lábios de mel. Um caso semelhante ao do Bill Clinton e Mônica Lewinsk. Renan é acusado de muitas coisas, mas a raiz do caso esta na forma como Renan manipula a lei, não a banana. E o que sentem os habitantes da nação brasileira e da capital do mensalão capitalista? De tanto ver o país ser transformado em sacanagem, roubalheira e a sociedade um espetáculo de realidade patrocinada, o povo já não sabe o que é abacaxi, pepino e laranja. Não sabem se suas vidas são suas ou se são ficção de personalidade. Bombardeados pelo delírio das ficções circenses e não-circenses, vivem envolvidos com mundos que não com mundos que só existem em novela. Para eles, as novelas são uma coisa muito real, a lama já é algo tão sem graça, devido às excessivas cenas, sobre o quadro político e das imagens divulgadoras do lamaçal histórico. É quando a moda do Senado já perdeu a graça, quando a piada não faz ninguém sorrir. Que emoção espiritual resta para os filhos bastardos desta nação? A última emoção do povo é o circo. No circo todo mundo quer dar risada. Se a piada não for boa, ninguém vai gargalhar. Nós somos os facínoras da história. É do vilão que elas gostam mais... As flores do pântano são mais belas que o prato que tu comes, que a urna que tu votas... A democracia chegou tarde de mais, morreu por uma infecção ética e moral generalizada. E quem são as heroínas desta América espectral? As Mônicas de Clinton e Renan? No meio desta vertigem audiovisual, os habitantes do país do mensalão capitalista concentram seu olhar nas fotos nuas da mais bela e sofisticada índia sedutora. Mônica Veloso.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Os Móveis do Bento...


Estou na Cidade de Bento Gonçalves a convite de minha Professora e Arquiteta Ana Luiza Montalvão Chaves, na feira de móveis. A feira de Móveis acontece a cada dois anos, no mês março, esta é a décima sexta Feira Movelsul Brasil. Esta feira de móveis de nível internacional é um dos maiores pólos moveleiros do país, com seis estandes e com 265 indústrias de móveis. Organizada pelo Sindmóveis – Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves, a Movelsul Brasil é atualmente uma referência para lojistas nacionais e importadores de todos os continentes. Sendo assim, a Movelsul Brasil caracteriza-se como a mais representativa feira de móveis da América Latina, promovendo o desenvolvimento do setor moveleiro e estreitando relações comerciais entre a indústria e seus clientes. O Salão Design nasceu em 1988 com o objetivo de integrar a criatividade e a inovação tecnológica por meio do design, contribuindo para o desenvolvimento do setor moveleiro e, conseqüentemente, para a competitividade do produto brasileiro ao promover e desenvolver a cultura do design entre empresários, profissionais e estudantes do Brasil e da América Latina. Ao redor do pavilhão da feira dos móveis do Bento... Eu vi um velho casarão. As janelas fechadas, sem pintura, ar de abandono com cerca de arame, um pequeno parreiral, sem água para mover o moinho. O Bento... Como todo imigrante, subiu a serra gaúcha, com terra, sem terra... Com um velho arado, revirou a terra, lançou sua semente. Moveu pedras e lagartos. Com calo nas mãos, cortou árvore, carregou lenha, madeira, ergueu sua morada e modelou seus móveis. Comeu o pão que o diabo amassou... Pisou nos bagos da uva, com bicho de pé ou chulé... No final da tarde, foi tomar um cálice de vinho ou espumante. E, ver que todo seu esforço valeu a pena. Tudo aqui é Bento... As pernas, os braços e a cabeça. Um plantou uva, outro construiu uma fábrica de móveis e outro criou a feira. Uniram amizades, intercâmbios e negócios, com o passar dos anos a idéia deu certo e isto tudo move à cidade. A história da consolidação do pólo moveleiro de Bento Gonçalves, considerado o mais avançado do Brasil em termos de tecnologia, remonta à chegada dos imigrantes italianos à região no final do século XIX que traziam de berço o gosto pela elaboração do vinho e pela fabricação de móveis.

Youssou N´Dour


Youssou N'Dour (Dakar, 1º. de outubro de 1959) é um compositor, intérprete e músico senegalês.
Nasceu e cresceu no bairro da Medina em Dakar. Muçulmano e seguidor do sufismo, é pai de vários filhos e tinha duas esposas (Mamy Camara e Aïda Coulibaly). Em junho de 2007, divorciou-se da primeira, Mamy, com quem teve quatro filhos, depois de 17 anos de casamento.
Trabalhou com artistas de renome como Peter Gabriel, Paul Simon e o camaronês Manu Dibango.
Uma das suas canções mais famosas é Seven Seconds, que gravou com a cantora Neneh Cherry. Em 1998, compôs o hino para as fases finais da Copa do Mundo, La Cour Des Grands, que canta com a cantora belga Axelle Red. Compôs também a trilha sonora do filme de animação Kirikou e a feiticeira (1998).Youssou N'Dour, em 2004, na Fête de l'Humanité, organizada anualmente pelo jornal L'Humanité.
Politicamente engajado, organizou em 1985 um concerto pela liberação de Nelson Mandela, no Estádio da Amizade, em Dakar. Também organizou vários concertos em benefício da Anistia Internacional. Embaixador de boa vontade para as Nações Unidas e para a UNICEF, foi também eleito embaixador embaixador da Organização Internacional do Trabalho.
Em 2004 participou do CD Agir Réagir em favor das vítimas do terremoto que atingiu a região de Al-Hoceima, no Marrocos. Youssou N'Dour sempre se manteve fiel às suas origens e continua morando em sua cidade natal.

Sete Segundos
Não me veja distante
Não veja meu sorriso e pense que eu não seja
O que está abaixo e atrás de mim
Não quero que me vejas e penses
Que o que está dentro de ti está em mim
O que está dentro de mim irá ajudar a eles

Desordem e grosserias
Deveríamos utilizar
Nos que praticam encantos perversos
Pela espada e pela pedra
Mau até os ossos
A batalha não terminou
Até quando se ganha
E quando uma criança nasce
Neste mundo
Não tem nenhuma idéia
Do tom da pele em que está vivendo
Não é um segundo

Sete segundos distantes
Tão longos quanto eu suportar
Eu estarei esperando

[REFRÃO]
Não é um segundo
Sete segundos distantes
Tão longos quanto eu suportar
Eu estarei esperando

Eu estarei esperando
Eu estarei esperando

Assumo as razões que nos empurram para mudar tudo
Quero que esquecam sua cor para que possam ter
esperança
Muitas opiniões de raça que os fazem desesperar
Desejo que as portas estejam completamente abertas
Aos amigos para falar de sua cor e sua alegria
Para que possamos dar informações que não nos dividam
para
Mudar

Sete segundos distantes
Tão longos quanto eu suportar
Eu estarei esperando

[REFRÃO]

Eu estarei esperando
Eu estarei esperando

E quando uma criança nasce
Neste mundo
Não tem nenhuma idéia
Do tom da pele em que está vivendo
E há um milhão de vozes
E há um milhão de vozes
Para te dizer o que ela deveria estar pensando
Então é melhor que você fique sóbrio por apenas um
segundo

Sete segundos distantes
Tão longos quanto eu suportar
Eu estarei esperando

terça-feira, 27 de maio de 2008

A Cidade Não Dorme




Você pode ouvir um ruído
Você pode ouvir uma música
O barulho dos aviões, dos trens,
dos automóveis que cruzam na rua
o trovão numa noite de tempestade

Você pode ouvir muitas vozes falando,
Gargalhando e nem sabe o nome delas
E nem sabe se são amigas
Mas sabe distinguir que sou eu entre muitos

Há um sentimento entre nós
Estamos lado a lado nesta distância
Posso me transportar até você
Posso sonhar com você
Você pode se transportar até mim
E pode sonhar comigo
Enquanto a cidade não dorme
A lua ilumina os arranha-céus e as casas

Você tem o que eu gosto e eu tenho o que você deseja
Eu tenho o que você deseja e você tem o que eu gosto
Enquanto a cidade não dorme
Eu sinto o seu coração bater e a sua voz
Ouça a minha voz e o meu coração bater

Retrato Falado Sobre Mim


Venho de um Cais do Porto e de ruas com árvores.
Meu pai era farmacêutico e
minha mãe contabilista no bairro Partenon.

O bairro não é um templo da Grécia antiga,
mas nascera de um grupo de intelectuais como Caldre e Fião,
que escrevera a lenda da índia Obirici,
entoada na voz de um shamam em transe (*),
ao redor da figueira.
Este é o bairro onde nasci.

Criei-me numa canoa furada, como o arroz do seco,
sem peixinhos que voam, nem marinheiros,
nem aves cantarolando pela manhã.
Quanto mais eu conheço os animais mais eu amo as pessoas.
Cinamomos, eucaliptos e jasmim.
Longe do estuário do Guaíba, rio Gravataí
e o Rio dos Sinos.

Aprecio viver em sintonia comigo mesmo.
Já publiquei coisas horríveis que eu nem gosto de lembrar:
Depois de publicar me arrependo terrivelmente
e quero desaparecer...

Segui o meu caminho a vida inteira
como se fosse um cego procurando à luz.
O que me salvou? Não estou no fundo do poço,
escrever foi a minha salvação. Os versos me renovam.
Agora, eu sou tão comum...
Estou na categoria de ser repetitivo
só porque sou uma pessoa sem valor...
No meu morrer tem um pé de guaraná.

(*) “Tapi tapiaçu, tapi tapimirim”
Obirici, Meu coração bate por ti,
Obirici, Meu coração é o alvo.
A sorte esta lançada.
Obirici se errar o alvo,
Outra índia levará meu coração.
Nervos, suor, tudo Longe do amor e da paz.
Sem rumo, vaga por ai...
Longe do morro Santa Tereza e do rio Gravataí.
No passo d´areia.
Lágrimas e prece debaixo da figueira.
Eleva os braços aos céus.
Nem tupã, nem cúpido
nem Upatã.
Obirici,
de amor e paixão
nosso amor se foi
por uma competição.