
O rouxinou da frança, Boêmia, privações na infância, o vício da morfina e o hábito do álcool, formaram uma combinação perigosa que pôs um fim precoce à vida da cantora Edith Piaf, falecida aos 47 anos de idade. Adoecida, retirara-se de Paris, de um apartamento que ocupava há muitos anos, para ir morrer perto de Grasse, no dia 10 de outubro de 1963. Com ela a França perdeu a maior das suas cantoras, o passarinho. A cantora e compositora imortal, suas letras retrataram, em tom de drama ou de alegre sátira, boa parte da história social e amorosa dos parisienses do século vinte, levando sua voz peculiar, inconfundível, tornada universal, para todas as partes do mundo, como símbolo do renascimento francês depois da desastrosa experiência da sengunda Guerra Mundial.
Pois assim, igualmente, aconteceu de verdade com Edith Piaf, artista de rua como a cigana da ficção de Vitor Hugo. Baixinha, esmirrada, criada como chansonnette, menina cantora das vielas de Paris, onde nascera em 1915, fazia o que queria com o seu público. Não havia beco da cidade, boteco, taverna ou inferninho que ela não conhecesse como a palma da mão. Tal como Esmeralda, que terminou se comovendo com a infelicidade do pavoroso Quasímodo, Piaf enterneceu-se pelas infelizes, pelos vagabundos e bêbados, pelo desacerto dos amantes e suas paixões impossíveis, doídas e fracassadas, sem porém fazer disso uma tragédia.
Coube a um dos seus tantos amantes, um tal de Louis Leplée, dono da boate Mômes de la Cloche, refúgio de rufiões e de mendigos, tirá-la do trottoir e colocá-la para cantar quando ela alcançou os 20 anos de idade. Dele foi a idéia de chamá-la de Piaf (passarinho, pardal), adequada ao tamanho e a voz dela, ímpar , de fantástica ave canora. Não demorou para que a levassem a gravar um disco, com um par das suas primeiras canções, da mais de duzentas e quarenta que deixou. O sucesso foi imediato. Em pouco tempo a menina que viera do lado sórdido da cidade, do bas-fond de Paris, onde enfeitiçara as platéias, pôs-se a freqüentar os locais da moda ao lado de gente como Jean Cocteau, Maurice Chevalier, Charles Trenet e Tino Rossi. Edith Piaf estourou mesmo foi depois da segunda Guerra Mundial. A França e o mundo se encantaram com La vie en rose, composta em 1946. Após aquela matança toda, a canção de Piaf - a exaltação do amor da amante pelo seu homem e como aquela paixão a deixava ver o mundo rosa -, representou o hino universal dos que sobreviveram a guerra. Seu lema poderia ter sido, como recomenda a letra de Boulevard du Crime, “rir em meio à tormenta”. Que voltassem a se abraçar e a se amar porque afinal a vida era cor de rosa. Se Sartre e o existencialismo, com sua exaltação da liberdade, dominou o cenário intelectual do pós-guerra, foi Edith Piaf, e não Juliette Gréco, tida então como a musa da nova filosofia, quem mais de fato a exerceu.
Mulher livre, sem marido fixo, sem família ou filhos, colecionado amantes (em geral jovens bonitões como Ives Montand ou George Moustaki), no qual ela expressou a perda irreparável do seu amado Marcel Cerdan, um campeão de boxe franco-argelino que morrera num desastre aéreo em 1949. entregou-se para sempre à música. Tornou-se a grã-sacerdotisa da canção popular francesa do após-guerra, com direito à corte permanente e tudo o mais.
Rosto redondo, expressivo mas sem beleza, cabelos em desalinho, vestido longo escuro, pequerrucha, sob a luz do palco ela era indomável, irresistível, arrebatadora. Flutuava ao microfone, como um beija-flor frente a uma rosa.
Pois assim, igualmente, aconteceu de verdade com Edith Piaf, artista de rua como a cigana da ficção de Vitor Hugo. Baixinha, esmirrada, criada como chansonnette, menina cantora das vielas de Paris, onde nascera em 1915, fazia o que queria com o seu público. Não havia beco da cidade, boteco, taverna ou inferninho que ela não conhecesse como a palma da mão. Tal como Esmeralda, que terminou se comovendo com a infelicidade do pavoroso Quasímodo, Piaf enterneceu-se pelas infelizes, pelos vagabundos e bêbados, pelo desacerto dos amantes e suas paixões impossíveis, doídas e fracassadas, sem porém fazer disso uma tragédia.
Coube a um dos seus tantos amantes, um tal de Louis Leplée, dono da boate Mômes de la Cloche, refúgio de rufiões e de mendigos, tirá-la do trottoir e colocá-la para cantar quando ela alcançou os 20 anos de idade. Dele foi a idéia de chamá-la de Piaf (passarinho, pardal), adequada ao tamanho e a voz dela, ímpar , de fantástica ave canora. Não demorou para que a levassem a gravar um disco, com um par das suas primeiras canções, da mais de duzentas e quarenta que deixou. O sucesso foi imediato. Em pouco tempo a menina que viera do lado sórdido da cidade, do bas-fond de Paris, onde enfeitiçara as platéias, pôs-se a freqüentar os locais da moda ao lado de gente como Jean Cocteau, Maurice Chevalier, Charles Trenet e Tino Rossi. Edith Piaf estourou mesmo foi depois da segunda Guerra Mundial. A França e o mundo se encantaram com La vie en rose, composta em 1946. Após aquela matança toda, a canção de Piaf - a exaltação do amor da amante pelo seu homem e como aquela paixão a deixava ver o mundo rosa -, representou o hino universal dos que sobreviveram a guerra. Seu lema poderia ter sido, como recomenda a letra de Boulevard du Crime, “rir em meio à tormenta”. Que voltassem a se abraçar e a se amar porque afinal a vida era cor de rosa. Se Sartre e o existencialismo, com sua exaltação da liberdade, dominou o cenário intelectual do pós-guerra, foi Edith Piaf, e não Juliette Gréco, tida então como a musa da nova filosofia, quem mais de fato a exerceu.
Mulher livre, sem marido fixo, sem família ou filhos, colecionado amantes (em geral jovens bonitões como Ives Montand ou George Moustaki), no qual ela expressou a perda irreparável do seu amado Marcel Cerdan, um campeão de boxe franco-argelino que morrera num desastre aéreo em 1949. entregou-se para sempre à música. Tornou-se a grã-sacerdotisa da canção popular francesa do após-guerra, com direito à corte permanente e tudo o mais.
Rosto redondo, expressivo mas sem beleza, cabelos em desalinho, vestido longo escuro, pequerrucha, sob a luz do palco ela era indomável, irresistível, arrebatadora. Flutuava ao microfone, como um beija-flor frente a uma rosa.
Quando você me aperta/ contra seu peito/ eu me sinto em um mundo à parte/ um mundo onde rosas florescem/ enquanto você fala/ anjos cantam lá em cima/ as palavras de todos os dias/ parecem se transformar em canções de amor/ Dê-me seu coração e sua alma/ e a vida sempre será/ cor-de-rosa.
É necessário esquecer,/tudo pode ser esquecido,/O que ficou pra trás/Esquecer o tempo dos mau entendidos/O tempo perdido/Saber como/Esquecer as horas/que matavam às vezes/De dúvida e medo/A culpa, o porque/O centro da felicidade/Não me deixes mais, não me deixes/ mais, não me deixes mais/Vou te oferecer/Pérolas que vi/Chover num país/Onde não chove mais/Revolver a terra, muito além da morte/Dourar o teu corpo/Onde ele estiver/Onde eu viverei/O amor será rei, o amor será lei/E tu reinarás/Não me deixes mais, não me deixes/ mais, não me deixes mais/Não me deixes mais/Que eu inventarei/Palavras sem nexo E tu compreenderas/Pra falar de amantes/Que por muitas vezes/Sentiram seu próprio coração/queimar/Eu vou te contar/A história de um rei/Que morreu tão triste/Por nunca te encontrar/Não me deixes mais, não me deixes mais, não me deixes mais/Dizem que é comum/Renascer o fogo/De um velho vulcão/Que não arde mais/Também já se viu/Em terras destruídas renascer mais trigo/Que no melhor abril/E pra se inflamar/Uma tarde no ar, o vermelho e o negro/Não se casam jamais/Não me deixes mais, não me deixes mais, não me deixes mais/Não me deixes mais/Eu não vou chorar, não vou/ mais falar, vou ficar em paz/Quero só te ver/Dançar e sorrir/Quero te ouvir/Cantar e falar/Deixa-me existir à sombra/ da tua mão/À sombra da tua mão/À sombra do teu cão/Não me deixes mais, não me deixes/ mais, não me deixes ...
Não, absolutamente, nada/ não eu não lamento nada/ nem o bem que me fizeram/ nem o mal/ isso tudo me é indiferente/ esta pago/ varrido/ esquecido/ Foda-se o passado/com minhas lembranças/acendi o fogo/minhas magoas, meus prazeres/ não preciso mais deles/varridos os amores/com todos os seus temores/varridos dos para sempre/vou recomeçar do zero/ não absolutamente, nada/ não, eu não lamento nada/ nem o bem que me fizeram/ nem o mal/ isto tudo me é indiferente/ pois minha vida/ pois minhas alegrias/ hoje/ isto tudo começa com você.
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