quinta-feira, 29 de maio de 2008

Quilombo Urbano


Em relação ao documentário de um estudante de comunicação da Unisinos, “Brasil Eterno Quilombo” também farei o meu documentário por escrito: Quilombo Urbano inspirado na “Chácara das Rosas”. Primeiro. Acho que nem precisaria ser feito, o país inteiro sabe, melhor, é mal informado ou não se interessa pelos excluídos... Preconceito no trabalho todo mundo sofre ou quase todo mundo já passou ou passa por piadinhas, há chefes de trabalho te deixando de lado por ser diferente, alguém te tirando uma onda. Mas existe lei contra o racismo e Racismo é crime. Segundo. Sobre a religião: Houve uma época em que a religião africanista ou umbandista agregava os afro-descendentes e os “protegia do mal do homem”. Parece que se criou um estereotipo a respeito do homem negro, e que, todo homem negro tem que ser batuqueiro. Homem Natural, como sempre fui, trilho o caminho da tolerância e respeito todas as crenças. Terceiro. O cenário poderia ser a Chácara das Rosas ou o nome pejorativo de um seriado dos anos 80, “Planet of the Apes”, na frente do Parque Municipal Getulio Vargas, vulgo “Capão do Corvo”. Entrei no quilombo urbano para conhecer. Como vim de uma outra realidade, não sabia o que meus olhos presenciariam na rua Dna Rafaela e a Duque de Caxias. Ali as flores são negras. Muitos nem chegaram a completar seus estudos, pedreiros e empregadas domésticas. E que, no passado às mulheres foram amas de leite dos brancos bebês. Quatro gerações residem naquele local e a última geração “já” começou a entrar na fase da miscigenação de dentro para fora ou de fora para dentro do quilombo. Alguns registros datam desde 1895 ou anteriores. Alguns registros da história canoense narram que os escravos chegaram à cidade através de um tropeiro oriundo de Laguna, Santa Catarina, e com ele cerca de oito e outros em torno de quarenta negros. Mas há indícios de que já havia negros livres residindo em Canoas nas proximidades da antiga estação de trem. O terreno da região do quilombo compõe, parte do território da antiga “fazenda da Brigadeira”, apelido da Dona Rafaela Pinto Bandeira, e foram ficando naquela área. Uma área outrora de difícil aceso cheia de eucaliptos e maricas espinhosos. Hoje, é uma área nobre e cheia de edifícios crescendo ao redor. Quarto. Cotas para negros. São de vital importância às cotas para negros na universidade. Não seria o ideal, mas já é alguma coisa. O ideal seria que cada estudante sustentasse os seus estudos. Foram 300 anos de escravidão neste país e apenas 118 da abolição. A história deve aos negros deste país uma parcela de sua contribuição que ainda é muito pouco. Sem Zumbi (1) de Palmares nenhum negro seria o que é, em nenhuma parte do pais. Os negros foram os negros foram os pilares da nação brasileira que com seu sangue, suor e seu balanço na pirâmide social contribuíram nas artes e no cotidiano. Isto é de Família: Paulo Joaquim da Silva (Paulão) Marceneiro e escultor, Wanderlei Joaquim da Silva (Dicão) Desenhista e João Salatife da Silva (Tião), músico, cantor das noites Canoenses. João Máximo diretor de teatro, e que, participou do filme, “Neto Perde a Alma”, e a peça de teatro “Fantasmas Urbanos”, nos anos 80. César Augusto, músico ex-Da Guedes e apresentador do programa “Urbanos” Ulbra TV. Vera Maria Nascimento Bacharel em direito, Claudia Elis Costa do Nascimento artista plástica, Alexandre Nascimento, músico de “Blues”. Antonio Alves da Rosa, Economista, funcionário Publico e Vereador, idealizador do 20 de Novembro como o dia da Consciência negra em Canoas, em 1989, ainda no governo do ex-prefeito de Canoas Hugo Simões Lagranha. Sinceramente, “Brasil Eterno Quilombo” não é um documentário é o mundo real, é uma coisa que esta aí, na nossa cara e ninguém enxerga. Demorou: Comparo o Quilombo Urbano no sentido de regularização territorial à vila Santo Operário, a primeira ocupação pacifica em Canoas. É o único reduto de negros descendentes de escravos ou quilombo urbano foi reconhecido pela Fundação Palmares, ligada ao governo federal.

(1) Zumbi
“Chico zum, chico zum, oiá zumbi

muda o tempo, muda o tempo,

oiá o tempo mudou”.


Zumbi, era sobrinho de Ganga Zumba o rei do quilombo.

Quilombo de Palmares era um lugar de escravos,

índios e brancos fugitivos da perseguição de Portugal,

entre Alagoas e Pernambuco.


São Francisco de Assis, o protetor,

o coroinha da igreja transformou a cruz numa espada e

seguiu seu destino, o destino do orixá.

Zumbi o guerreiro de Palmares, o Aquiles negro do quilombo,

na Serra da Barriga, movia-se como superstição na cidade Negra.

Zumbi não faz acordo com os poderosos

nem com o governador de Pernambuco,

ergue sua lança, rebela seu grito de liberdade contra a opressão.

Zumbi esta para soldado búfalo,

assim como o lanceiro negro esta para zumbi.


Penso, logo insisto.

Assim nasceu a consciência do orixá:

“Pode ter açúcar sem oprimidos,

pode ter Brasil sem açúcar e Portugal que se vire”.

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