
No final do século 19 o viver dos homens, das mulheres e das crianças era mais tranqüilo, mais pacífico, mais fácil de ser desfrutado sem maiores sobressaltos, embora vez ou outra a violência já andasse aprontando das suas. Afinal de contas, a natureza humana é imprevisível, o que tem sido sobejamente demonstrado desde o princípio, quando Caim matou Abel e deu início a essa prática nefanda. Foi o que aconteceu no dia 12 de novembro de 1899, data em que Bruno Soares Bicudo, um soldado conhecido como Brum, do 1º Regimento de Cavalaria da Brigada Militar gaúcha, combinou um piquenique com sua namorada Maria Francelina Trenes, de 21 anos, e mais os seus amigos e também soldados Felisbino Antero de Medina, Manoel Alves Nunes e Manoel Antonio Vargas, que deveriam comparecer acompanhados de suas respectivas esposas. O local escolhido foi um morro situado no atual bairro Partenon, defronte ao terreno onde funciona o Hospital Psiquiátrico São Pedro, na Avenida Bento Gonçalves, e que na época ainda se encontrava coberto pelo mato e algumas árvores. Foi ali que a excursão dos jovens se prolongou por algumas horas de alegria descontraída, e quando o churrasco acabou, Bruno e Maria Francelina afastaram-se do grupo porque haviam iniciado uma pequena discussão. Depois disso a tarde avançou sem novidades até o momento em que os demais participantes do passeio se deram conta de que a ausência dos dois se prolongava por tempo além do razoável. Então eles começaram a procurá-los pelas redondezas, encontrando o soldado ao lado de uma figueira, com uma faca na mão, e a moça estirada no solo, toda ensangüentada. Ela havia sido degolada pelo rapaz que a acompanhava. Desorientados com aquela tragédia que não conseguiam entender, os três militares trataram de comunicar o ocorrido aos seus superiores hierárquicos no regimento, e de lá foi enviada imediatamente uma guarnição que desarmou o assassino e o levou preso para o quartel. Posteriormente, ele foi julgado pela justiça e condenado a 30 anos de reclusão na Casa de Detenção de Porto Alegre, aonde veio a falecer sete anos depois, assassinado, ao que se sabe, por outro detento. Com a elucidação do caso as populações periféricas de Porto Alegre passaram a considerar Maria Francelina como uma santa que atendia aos pedidos e orações dos desafortunados, principalmente após se ter espalhado a notícia de que em uma sessão espírita realizada nas proximidades do local do crime, havia sido recebida uma mensagem da moça declarando que não desejava ser lembrada como “Maria Degolada”, e sim pelo seu verdadeiro nome. Nessa época, já surgira no alto do morro uma pequena vila, cujos moradores decidiram em reunião que dali em diante o lugar seria chamado de Maria da Conceição, denominação que de fato aparece nos registros da administração pública. No local foi erguida uma construção tosca sobre o que diziam ser o túmulo da moça assassinada, uma espécie de capela aonde até os dias de hoje chegam pessoas para fazer os mais diferentes pedidos, principalmente aqueles que envolvem "amores perdidos", “amores contrariados” ou "dores de amor". Depois de atendidas em suas solicitações elas retornam à “capela” para agradecer à benfeitora, trazendo velas, peças de cera, véus de noiva, fotos, flores e outros presentes, depositando suas oferendas junto ao túmulo. Conta-se, no entanto, que Maria Degolada atende a todos os pedidos, exceção feita aos dos policiais... A tragédia acontecida no morro do Hospício serviu de tema à publicação intitulada “Maria Degolada, mito ou realidade?”, da Editora Estadual Arquivo Público do Rio Grande do Sul, 1994, Porto Alegre, sendo mencionada, ainda, em “Rio Grande do Sul: um século de história”, de Carlos Urbim, Lucia Porto e Magda Achutti, Porto Alegre, 1999, volume 2, páginas 625/626; e “Porto Alegre: guia histórico”, de Sérgio da Costa Franco; Editora da UFRGS, 1988, página 259. Também no teatro o triste acontecimento é relembrado através da peça “Maria Degolada”, de Hércules Grecco, cujo resumo informa que ela “conta a tragédia de Maria Francelina, mulher marcada pela violência do início ao fim de sua vida, tendo como pano de fundo a Revolução Federalista de 1893. Com sensibilidade e originalidade, o autor trata temas delicados, como a cultura da violência e o papel da mulher no cotidiano provinciano”. Sobre o Hospital São Pedro, destinado ao tratamento psiquiátrico na cidade de Porto Alegre, ele teve sua construção iniciada em 02/12/1879, sendo a primeira parte terminada em 1884; mas somente em 1903 concluiu-se o seu quinto e último pavilhão. Ele chegou a abrigar mais de cinco mil pessoas, porém, com a adoção de uma nova política de atendimento médico aos que têm problemas psíquicos, o hospital está sendo gradativamente desativado.
O Hospital São Pedro foi o primeiro hospital psiquiátrico da cidade; sua construção foi iniciada em 02/12/1879; a primeira parte foi concluída em 1884; todavia, o 5o. e último pavilhão foi concluído somente em 1903. Em 1884, foi visitado pela Princesa Isabel, quando estava com 1/4 da sua construção concluída. Na época, considerava-se grande avanço colocar em hospital pessoas indevidamente trancafiadas em cadeias. No auge, o hospital chegou a abrigar mais de 5 mil pessoas; todavia, com a nova política em andamento no setor, de abrigagem de pessoas com sofrimento psíquico em lares menores, o hospital está sendo gradativamente desativado.
No morro em frente ao Hospital, chamado antigamente de Morro do Hospício, ocorreu à rumorosa tragédia da "Maria Degolada", que está sendo retratada em peça teatral na cidade. Lá, em 12/11/1899, Maria Francelina Trenes, de 21 anos e de origem alemã, foi cruelmente degolada por seu amante, por motivo torpe (discussão fútil). Naquele domingo, no local da atual rua Carlos de Laet. Logo, o local passou a ser venerado por pessoas humildes, principalmente por pessoas com "amores contrariados", recebendo velas acesas e oferendas à moça que passou a ser chamada popularmente de "Maria Degolada". Nos meios oficiais, o morro e o local são referidos por nome menos deprimente: "Maria da Conceição".
Atualmente, existe no local uma pequena capela, com muitas velas constantemente acesas. O local é de difícil acesso; a ruela que leva ao local está asfaltada, mas é muito estreita, sinuosa e ladeada por casas muito humildes, parecendo um "beco sem saída".
De todos os lugares da capital, o Morro MARIA DA CONCEIÇÃO talvez seja o mais rico em história, em valor cultural.
Aqui neste bairro, se deu uma das histórias que mais marcaram a memória desta cidade: - Dessa tragédia nasceu o nome desta localidade. Mas é bom que todos saibam: Com a elucidação do caso as populações periféricas de Porto Alegre passaram a considerar Maria Francelina como uma santa que atendia aos pedidos e orações dos desafortunados, principalmente após se ter espalhado a notícia, de que em uma sessão espírita realizada nas proximidades do local do crime, havia sido recebida uma mensagem da moça declarando que não desejava ser lembrada como “Maria Degolada”, e sim pelo seu verdadeiro nome.
Nessa época, já surgira no alto do morro uma pequena vila, cujos moradores decidiram em reunião que dali em diante o lugar seria chamado de Maria da Conceição. MARIA FRANCELINA não gosta que a chamem de Maria Degolada. Dela, pouco se sabe. Que era alemã, segundo registro de óbito na SANTA CASA DE MISERICÒRDIA. É tudo.
Santuário Milagroso "Maria da Conceição". Dizem que só não atende pedido de militares.
O Hospital São Pedro foi o primeiro hospital psiquiátrico da cidade; sua construção foi iniciada em 02/12/1879; a primeira parte foi concluída em 1884; todavia, o 5o. e último pavilhão foi concluído somente em 1903. Em 1884, foi visitado pela Princesa Isabel, quando estava com 1/4 da sua construção concluída. Na época, considerava-se grande avanço colocar em hospital pessoas indevidamente trancafiadas em cadeias. No auge, o hospital chegou a abrigar mais de 5 mil pessoas; todavia, com a nova política em andamento no setor, de abrigagem de pessoas com sofrimento psíquico em lares menores, o hospital está sendo gradativamente desativado.
No morro em frente ao Hospital, chamado antigamente de Morro do Hospício, ocorreu à rumorosa tragédia da "Maria Degolada", que está sendo retratada em peça teatral na cidade. Lá, em 12/11/1899, Maria Francelina Trenes, de 21 anos e de origem alemã, foi cruelmente degolada por seu amante, por motivo torpe (discussão fútil). Naquele domingo, no local da atual rua Carlos de Laet. Logo, o local passou a ser venerado por pessoas humildes, principalmente por pessoas com "amores contrariados", recebendo velas acesas e oferendas à moça que passou a ser chamada popularmente de "Maria Degolada". Nos meios oficiais, o morro e o local são referidos por nome menos deprimente: "Maria da Conceição".
Atualmente, existe no local uma pequena capela, com muitas velas constantemente acesas. O local é de difícil acesso; a ruela que leva ao local está asfaltada, mas é muito estreita, sinuosa e ladeada por casas muito humildes, parecendo um "beco sem saída".
De todos os lugares da capital, o Morro MARIA DA CONCEIÇÃO talvez seja o mais rico em história, em valor cultural.
Aqui neste bairro, se deu uma das histórias que mais marcaram a memória desta cidade: - Dessa tragédia nasceu o nome desta localidade. Mas é bom que todos saibam: Com a elucidação do caso as populações periféricas de Porto Alegre passaram a considerar Maria Francelina como uma santa que atendia aos pedidos e orações dos desafortunados, principalmente após se ter espalhado a notícia, de que em uma sessão espírita realizada nas proximidades do local do crime, havia sido recebida uma mensagem da moça declarando que não desejava ser lembrada como “Maria Degolada”, e sim pelo seu verdadeiro nome.
Nessa época, já surgira no alto do morro uma pequena vila, cujos moradores decidiram em reunião que dali em diante o lugar seria chamado de Maria da Conceição. MARIA FRANCELINA não gosta que a chamem de Maria Degolada. Dela, pouco se sabe. Que era alemã, segundo registro de óbito na SANTA CASA DE MISERICÒRDIA. É tudo.
Santuário Milagroso "Maria da Conceição". Dizem que só não atende pedido de militares.
Se é lenda, não sabemos...
O resto que sabemos vem da memória dos mais velhos. - Bruno soares Bicudo,que na época do crime tinha 29 anos,foi condenado a 30 anos de trabalho na casa de Correção de Porto Alegre. Ficou a história do morro. A história da MARIA FRANCELINA, que todos hoje chamamos de MARIA DA CONCEIÇÂO. - Seu corpo foi sepultado no jazigo 741 do Cemitério da Santa Casa de misericórdia, em 14 de novembro de 1899, dois dias após sua morte. Nunca se soube de qualquer parente ou registro oficial sobre essa moça.Outra curiosidade sobre o morro - A rua onde esta o Bar do Ricardo , A Rua Caldre e Fião, tem uma peculiaridade:JOSÈ Antonio do Vale Caldre e Fião era um médico que nasceu em Porto Alegre em 1821 e morreu na mesma cidade, em 1876. Radicou-se no Rio de Janeiro, defendeu a causa abolicionista,foi perseguido e retornou ao Rio Grande do sul. Elegeu-se deputado na Assembléia Provincial e presidiu a sociedade Partenon Literário, importante núcleo de efervescência cultural da época. è autor do romance "O CORSÀRIO",de 1849, 0 segundo escrito no Brasil e por que a curiosidade? -Porque Caldre e Fião era amigo do povo. Em especial dos negros. Não esqueçam que a abolição da escravatura só se deu em 1888, 11anos antes da morte de Maria da Conceição.
E Caldre Fião era um abolicionista. Quando um negro ou alguém do povo se via em dificuldades, era a ele que recorriam. Hoje, passados 120 anos da abolição e 109 anos da morte de MARIA FRANCELINA. Lembranças tristes, pesarosas, mas como objeto de dignidade, a mesma dignidade de um Caldre e Fião, de uma Maria Francelina, que se tornou uma espécie de padroeira e protetora de nossa gente.
O resto que sabemos vem da memória dos mais velhos. - Bruno soares Bicudo,que na época do crime tinha 29 anos,foi condenado a 30 anos de trabalho na casa de Correção de Porto Alegre. Ficou a história do morro. A história da MARIA FRANCELINA, que todos hoje chamamos de MARIA DA CONCEIÇÂO. - Seu corpo foi sepultado no jazigo 741 do Cemitério da Santa Casa de misericórdia, em 14 de novembro de 1899, dois dias após sua morte. Nunca se soube de qualquer parente ou registro oficial sobre essa moça.Outra curiosidade sobre o morro - A rua onde esta o Bar do Ricardo , A Rua Caldre e Fião, tem uma peculiaridade:JOSÈ Antonio do Vale Caldre e Fião era um médico que nasceu em Porto Alegre em 1821 e morreu na mesma cidade, em 1876. Radicou-se no Rio de Janeiro, defendeu a causa abolicionista,foi perseguido e retornou ao Rio Grande do sul. Elegeu-se deputado na Assembléia Provincial e presidiu a sociedade Partenon Literário, importante núcleo de efervescência cultural da época. è autor do romance "O CORSÀRIO",de 1849, 0 segundo escrito no Brasil e por que a curiosidade? -Porque Caldre e Fião era amigo do povo. Em especial dos negros. Não esqueçam que a abolição da escravatura só se deu em 1888, 11anos antes da morte de Maria da Conceição.
E Caldre Fião era um abolicionista. Quando um negro ou alguém do povo se via em dificuldades, era a ele que recorriam. Hoje, passados 120 anos da abolição e 109 anos da morte de MARIA FRANCELINA. Lembranças tristes, pesarosas, mas como objeto de dignidade, a mesma dignidade de um Caldre e Fião, de uma Maria Francelina, que se tornou uma espécie de padroeira e protetora de nossa gente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário